domingo, 13 de dezembro de 2015

DECADÊNCIA SE CONFIRMA NO SISTEMA DE ÔNIBUS DO RJ

ACIDENTE COM ÔNIBUS DA TRANSPORTES FUTURO DEIXA CINCO MORTOS E VÁRIOS FERIDOS.

O atual sistema de ônibus do Rio de Janeiro, implantado em 2010, "comemorou" seus cinco anos vivendo uma decadência vertiginosa, consequente do indigesto "combo" da pintura padronizada, da dupla função do motorista-cobrador e dos itinerários reduzidos (medida esta suspensa por processo movido pelo Ministério Público, mas que ainda ameaça voltar).

Com frotas de ônibus cada vez mais sucateadas, as empresas de ônibus, que não podem apresentar sua identidade visual para facilitar suas relações de serviço com o público consumidor, se desleixam ou aumentam sua corrupção, sobretudo quando empresas trocam de linhas ou mudam de nome.

Não há como dizer que essa decadência "sempre aconteceu", quando os defensores do atual sistema tentam argumentar, com sua pose de "donos da verdade". Até porque eles se confundem todos, entre dizer que o sistema "está ótimo e perfeito" num momento e, em outro, dizer que "ele conta com sérios problemas".


No último fim de semana, dois acidentes aconteceram nas ruas do Rio de Janeiro. Um, na manhã de sábado, com um ônibus da Viação Redentor que se chocou com um táxi e deixou vários feridos, na altura da Av. Rio Branco na esquina com a Av. Alm. Barroso, no Castelo.

Outro acidente, no entanto, teve resultados trágicos. Um ônibus da Transportes Futuro que percorria a Linha Amarela, com destino Rio Centro (linha 352), bateu em um muro de um túnel, na altura da Freguesia, região de Jacarepaguá, causando cinco mortes e vários feridos.

GOTEIRAS PINGAM NO AR CONDICIONADO DO CARRO B25511, DA MATIAS...

Isso sem falar dos muitos acidentes que acontecem nos BRTs e o fato de que vários desses ônibus já estão desgastados, havendo casos de veículos realmente sucateados. E quem imagina que o sucateamento dos ônibus é "privilégio" de algumas empresas como City Rio, Pégaso, Campo Grande e Paranapuan, está completamente enganado.

...UM MODELO SIMILAR AO DESTE, MARCOPOLO TORINO 2014, AINDA NOVO.

Empresas antes consideradas exemplares, como Matias, Braso Lisboa e Real, também estão com frotas sucateadas, com lataria não só amassada como dotadas de sérios arranhões. A Viação Verdun está toda sucateada, aos níveis da Expresso Pégaso, com veículos com muitos arranhões.

Ônibus da Matias do modelo Marcopolo Torino 2014 já apresentam péssimo estado de conservação, o que se observa na correria que os veículos fazem na linha 232 Lins / Castelo, que rodam sacolejando como se estivessem com os parafusos soltos.

Pior: num desses carros, de número B25511, notou-se que o ar condicionado estava sem manutenção, já que as goteiras pingavam, incomodando os passageiros. O mais grave é que esses veículos da Torino 2014 têm poucos meses de fabricação.

São essas decadências que se repetem, e não é porque são problemas do acaso. É porque o modelo adotado em 2010 é decadente, marcado pelo autoritarismo da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), que, em vez de ser apenas um órgão fiscalizador, é dotado de plenos poderes. um desvio de função que é comparável a de um porteiro de prédio se achando o síndico.

Caso continue esse modelo, originário da ditadura militar - foi implantado por Jaime Lerner em 1974 - , a crise no sistema de ônibus do Rio de Janeiro continuará, o que significa que não é possível resolvê-lo com medidas paliativas, já que o sistema é marcado por burocracia e um método opressivo de trabalho dos rodoviários.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

SECRETÁRIOS DE TRANSPORTES SÃO INVESTIGADOS POR LIGAÇÃO COM EMPREITEIROS


De acordo com o que mostra a série de reportagens "O Rio de Janeiro na Lama", produzida pela TV Record carioca e transmitida em rede nacional pelo Jornal da Record, o grupo político que está no poder no Rio de Janeiro está sendo investigado pela Justiça por causa de denúncias de enriquecimento ilícito e favorecimentos pessoais junto a empreiteiros.

Entre os investigados na corrupção, estão desde o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, o governador do Estado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, e os secretários de Transportes do município do Rio, Rafael Picciani, e estadual, Carlos Roberto Osório.

A família Picciani, investigada por corrupção, inclui o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), Jorge Picciani, pai do secretário e também do deputado federal Leonardo Picciani, protegido do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, este conhecido por seu reacionarismo e pelo envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras.

A série de reportagens da Rede Record apresenta a falência em que se encontra o Estado do Rio de Janeiro, unidade federativa que mais sofreu retrocessos de vários tipos nos últimos anos, através de um grupo político marcado pelo autoritarismo, pelo desrespeito às leis, pela demagogia e pela corrupção.

Carlos Roberto Osório, quando era titular da secretaria municipal carioca (SMTR), já era acusado de estar envolvido com os empresários de ônibus. Consta-se que a pintura padronizada foi adotada para favorecer a corrupção político-empresarial, e um dos efeitos é a ciranda de trocas e extinções de empresas que deixa os passageiros confusos e desnorteados.

Além disso, as alterações dos itinerários das linhas de ônibus, além de apresentarem o interesse, nunca admitido pelas autoridades, de "limpeza social" na Zona Sul - complementando os abusos de policiais contratados pelo Estado, despreparados e confundindo jovens trabalhadores e estudantes com bandidos e fuzilando-os a esmo - , também teria o dedo dos empreiteiros.

As mudanças nas linhas de ônibus seriam uma forma de criar um esquema de favorecimento de empresários de ônibus com a redução de ônibus em circulação, a demissão de cobradores (devido à dupla função imposta aos motoristas) e a armação do "bilhete único" cuja validade se esgota ainda antes que o primeiro ônibus encerre seu percurso, obrigando o passageiro a pagar pela baldeação.

Além dessas manobras, feitas para alimentar o enriquecimento ilícito dos empresários de ônibus, existe também a obrigação do uso dos BRTs, nos corredores expressos, que foram construídos com a participação de empreiteiros, os mesmos investigados pela Operação Lava-Jato.

Neste caso, as reportagens denunciam que moradores são expulsos de casas populares para a construção não só de praças olímpicas, mas também de corredores de BRT. Uma área de proteção ambiental já foi destruída para construir um trecho desses corredores.

Há dois anos, uma CPI dos Ônibus chegou a ser instalada, mas políticos ligados aos próprios investigados foram designados para conduzir o processo, o que terminou em impunidade. A corrupção política dos governantes do PMDB carioca é responsável, direta ou indireta, pela crise da violência e do colapso nas verbas públicas que atinge o Estado do Rio de Janeiro.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

MINISTÉRIO PÚBLICO INVESTIGA IRREGULARIDADES EM MUDANÇAS DE LINHAS NO RJ


O Ministério Público do Rio de Janeiro analisa possíveis irregularidades em relação às mudanças ocorridas nas linhas de ônibus municipais cariocas nos últimos meses. Segundo a ação, as alterações foram feitas sem qualquer tipo de pesquisa relacionada às demandas e outros aspectos.

Segundo o órgão, as mudanças realizadas apontam a necessidade de fazer baldeação, o que estaria prolongando o tempo de deslocamento. Vários estudantes e trabalhadores que se deslocam da Zona Sul para a Zona Norte e vice-versa estariam se atrasando por causa das baldeações, contrariando o que o secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani, havia declarado.

De acordo com o secretário, que adotou as mudanças sob o pretexto de "otimizar" o sistema de ônibus, "somente 20% dos passageiros" seriam obrigados a fazer baldeação entre os trajetos da Zona Norte para o Centro e do Centro para a Zona Sul.

Outro aspecto a se observar é que os ônibus passaram a ficar muito lotados, com as mudanças. Antes, os ônibus saíam da Central apenas com a maior parte dos assentos ocupada e os lugares só seriam todos preenchidos no entorno do Castelo e da Cinelândia.

Atualmente, os ônibus que vêm da Central já estão não apenas com os lugares de sentados preenchidos, como já mostram um número médio de dez pessoas em pé, padrão de lotação considerado "ideal" pelos tecnocratas da Prefeitura do Rio de Janeiro, mas incômodo e desconfortável para os passageiros que se deslocam em grandes distâncias para o trabalho e os estudos.

Os técnicos do Ministério Público estão pensando em cancelar a nova etapa de mudanças. Eles deram um prazo para a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) apresentar seu relatório de pesquisas. Caso contrário, o processo de mudança nas linhas será interrompido em novas etapas. Não há informação se as mudanças já ocorridas poderão ser revertidas.

sábado, 24 de outubro de 2015

QUE TAL "OTIMIZAR" OS COMERCIAIS DE AUTOMÓVEIS NA TV?


Sexta-feira, 23 de outubro de 2015. Cerca de oito e dez da manhã. Rede Globo de Televisão. Num único intervalo comercial do noticiário matutino Bom Dia Brasil, apareceram dois comerciais, um da marca Hyundai e outro da Volkswagen, intercalados apenas por um comercial de outro produto.

Em muitos momentos, principalmente no horário nobre da televisão, um mesmo módulo de intervalo comercial chega a mostrar até três comerciais de automóveis ou mesmo, junto a eles, um comercial de produtos relacionados a eles, como combustíveis e baterias para carros.

Não bastasse a "cultura social" que faz com que a pessoa adquira maior importância social quanto compra um automóvel, comerciais de televisão estimulam a compra e o consumo compulsivo de automóveis, num sistema de valores em que as pessoas são impelidas a usar automóvel só para levar os filhos da escola uns poucos quarteirões adiante.

Hoje mais uma alteração de linhas de ônibus é feita pela Secretaria Municipal de Transportes da Prefeitura do Rio de Janeiro (SMTR), cujo titular, Rafael Picciani, é de família aliada do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. A lógica autoritária e a visão autista decidida em escritórios reflete o caráter "otimizado" de tais mudanças.

A colocação de linhas troncais e alimentadoras, que tem mais uma etapa hoje, embora esta seja de aparente menor impacto no Centro, já que mexerá mais no corredor via Túnel Santa Bárbara e envolverá linhas realmente desnecessárias - "clones" de linhas do corredor Zona Norte - Zona Sul que se limitavam a ir para Botafogo ou Av. Prado Júnior, no Leme - , reflete essa visão autoritária.

O impacto já começa a ser notado. Ônibus lotados até mesmo fora dos horários de pico. A própria lógica da SMTR diverge da população quanto ao padrão de lotação de ônibus que deve ser no começo dos trajetos.

Para a população, os ônibus deveriam circular pelo menos com 50% dos bancos ocupados, no começo do percurso. Já a SMTR quer que eles já partam de seus pontos iniciais com 100% dos bancos ocupados, e um número médio de dez pessoas em pé.

Esses detalhes a mídia não observa e quase não se fala deles. E, nos horários de pico, ônibus já começam a sair de seus pontos iniciais com até mesmo mais de dez passageiros em pé. Por exemplo, os troncais de integração Centro - Zona Sul vindos da Central já entram na Av. Rio Branco praticamente superlotados, não só nos horários de pico, mas até em horários fracos.

E isso quando o número de automóveis nas ruas é extremamente grande e desnecessário, Há pessoas que usam o carro apenas por pura vaidade. Mesmo antes das mudanças nas linhas, os congestionamentos eram intensos nos entornos de Botafogo, Flamengo e Laranjeiras mesmo em horários considerados fracos, como 16 horas.

Agora, a situação se complicou. A imprensa não costuma dar ênfase, porque a grande mídia também se compromete com interesses empresariais e estamos no período de preparativos para as Olimpíadas, daí que nas mídias sociais as pessoas estão até discriminando quem tem senso crítico para forjar um "mar de rosas" digital, um Brasil "feliz" para turista ver.

Por isso, diante de um Rio de Janeiro aceitando bovinamente as imposições das autoridades que, isoladas nos seus escritórios, acham que entendem o mundo à sua volta, os ônibus agora reduzem suas frotas nas ruas, enquanto os automóveis aumentam ainda mais sua presença no tráfego diário.

Se Rafael Picciani se acha tão sábio, tão entendedor das coisas, por que ele não entra em contato com as emissoras de televisão e lhes aconselha uma "otimização" nos comerciais de automóveis na televisão?

Reduzir as campanhas um comercial de automóvel (incluindo artigos relacionados, como bateria para carro) para cada intervalo de programa de TV, no horário nobre, e um comercial em um de cada três intervalos na programação diurna seriam uma forma de diminuir os transtornos que acontecem sob o rótulo de "mobilidade urbana".

domingo, 11 de outubro de 2015

COM PINTURA PADRONIZADA, AUTORIDADES CONFUNDEM CONCEITOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


Enquanto a tragicomédia da pintura padronizada tende a se repetir com a licitação de linhas municipais de Nova Iguaçu e a de linhas intermunicipais do Grande Rio para a capital, autoridades demonstram total falta de discernimento de conceitos relativos à Administração Pública.

Através da pintura padronizada, se estabelecem vínculos administrativos que correspondem a conceitos que nada têm a ver com as relações que se estabelecem entre empresas particulares de ônibus que operam concessões de serviço de transporte coletivo.

A pintura padronizada, que explicitamente expressa a identidade do poder público relacionado, seja a secretaria municipal ou a estadual de Transportes, através do respectivo consórcio determinado por esse mesmo poder estatal, corresponde, na verdade, ao processo de DESCONCENTRAÇÃO da Administração Pública, o que é muito diferente de DESCENTRALIZAÇÃO.

Isso porque a pintura padronizada sugere uma subordinação das empresas de ônibus ao poder governamental correspondente. A imagem que elas apresentam é a do "consórcio" que simboliza a identidade do poder estatal - isso é tão claro que se enfatiza na pintura a identificação do município ou orgão estatal, em detrimento do nome da empresa -  , o que indica não a Descentralização Administrativa, que permite autonomia da pessoa jurídica prestadora de serviço, mas a Desconcentração, em que o serviço é concedido mediante relações de hierarquia.

Para quem acha que isso nada tem a ver, reproduzimos o que o portal JusBrasil, especializado em Direito, descreve sobre a diferença entre Descentralização e Desconcentração (que usamos em maiúsculas para dar sentido enfático na análise):

"A atividade administrativa pode ser prestada de duas formas, uma é a centralizada, pela qual o serviço é prestado pela Administração Direta, e a outra é a descentralizada, em que a prestação é deslocada para outras Pessoas Jurídicas.

Assim, descentralização consiste na Administração Direta deslocar, distribuir ou transferir a prestação do serviço para a Administração a Indireta ou para o particular. Note-se que, a nova Pessoa Jurídica não ficará subordinada à Administração Direta, pois não há relação de hierarquia, mas esta manterá o controle e fiscalização sobre o serviço descentralizado.

Por outro lado, a desconcentração é a distribuição do serviço dentro da mesma Pessoa Jurídica, no mesmo núcleo, razão pela qual será uma transferência com hierarquia".

A secretaria, municipal ou estatal, de Transportes, na medida em que adota a pintura padronizada que impõe um mesmo visual para diferentes empresas de ônibus, está, assim, atropelando não apenas critérios legais da Lei de Licitações e do Código de Defesa do Consumidor, para não dizer a Constituição Federal (sim, a pintura padronizada é INCONSTITUCIONAL porque contraria o princípio de livre iniciativa, por simbolizar, pela identidade visual, a subordinação de empresas particulares ao poder estatal), mas também conceitos de Administração Pública.

Afinal, a imposição de uma mesma pintura para diferentes empresas estabelece o monopólio da identificação do poder público através do visual dos "consórcios". As relações correspondem à desconcentração, transferência de serviço com relações de subordinação, como se as empresas particulares fossem órgãos do governo municipal ou estadual.

Não se trata de descentralização, por mais que o discurso das autoridades apele para tal, porque, se houvesse descentralização, seria respeitado o direito de cada empresa de ônibus apresentar a identidade visual que quiser, quando muito apenas criando uma posição fixa de apresentação do nome da empresa e do número, que é o que havia no Rio de Janeiro antes de 2010.

Com isso, as autoridades brasileiras, tão metidas a entender de Administração Pública e a ostentar seus diplomas de Direito, cometem uma total ignorância de seus conceitos mais fundamentais. E demonstram que só entendem mesmo de conchavos políticos e de nomeações em que os interesses pessoais estão acima do interesse público.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

BALDEAÇÃO ESGOTA TEMPO DE BILHETE ÚNICO. PREFEITURA DO RJ NÃO AMPLIARÁ SUA VALIDADE


A mudança de linhas de ônibus no Rio de Janeiro confirmou o diagnótico de que as baldeações iriam esgotar o tempo do Bilhete Único, válido apenas para duas horas e meia do percurso. Ou seja, quem vem da Zona Norte e quer ir para a Zona Sul, terá que desembarcar no Centro e, na prática, pagar mais de uma passagem.

Só o percurso de um ônibus ultrapassa as duas horas e meia, devido ao trânsito congestionado em vários trechos da cidade. Nos horários de pico, o trânsito no entorno de Botafogo a Laranjeiras simplesmente trava, o que força os passageiros, sobretudo trabalhadores e universitários, a gastar, pelo menos, R$ 13,60 só para um único deslocamento diário de ida e volta.

São mais de R$ 270 a serem gastos por mês para um simples deslocamento. Na prática, é como se a passagem tivesse aumentado em 100%. E mostra o caráter autoritário da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), que usou a desculpa da "racionalização" para impor as mudanças.

Os passageiros saíram confusos com as mudanças e as novas linhas de integração. Nem a orientação de funcionários espalhados pelas ruas conseguiu resolver as coisas. E, com menos ônibus em circulação, os cariocas passaram a esperar até 40 minutos ou uma hora para pegar o segundo ônibus.

Passageiros tiveram que andar para outras ruas para pegar outros ônibus do Sistema Integrado, para evitar atrasos. Alguns levaram como jeitinho não passar pelo torniquete na primeira meia-hora de percurso. Mesmo assim, o Bilhete Único se esgota antes do primeiro ônibus chegar ao ponto final.

A GERENTE ANA PAULA PEREZ, ENTREVISTADA PELO JORNAL EXTRA, USA COMO ESTRATÉGIA DEMORAR PARA PASSAR PELO TORNIQUETE, PARA EVITAR O ESGOTAMENTO DO BILHETE ÚNICO.

Os passageiros tentam, dessa forma, "segurar" o Bilhete Único para garantir o ingresso gratuito no segundo ônibus. Mesmo a sugestão da SMTR para os passageiros que vêm da Barra da Tijuca desembarcarem em São Conrado e não no Rio Sul para pegarem as linhas troncais não é suficiente para evitar a segunda tarifa na baldeação.

ÔNIBUS LOTADOS

A imprensa bem que tentou minimizar o impacto do primeiro dia, com os repórteres se distanciando dos terminais e fazendo cobertura nos pontos intermediários, para evitar a repercussão negativa da nova operação. Mas não pôde esconder a insatisfação e os transtornos, assim como as lotações nos õnibus.

Os ônibus, reduzidos em frota e percurso, tiveram aumento de demanda. O número de passageiros aumentou drasticamente. Os terminais ficaram superlotados e um dos impactos da atual mudança foi sentido no Terminal da Central, que além do seu já tumultuado movimento, observado antes da medida, passou a acolher aqueles que pegavam os ônibus vindos da Zona Norte.

Por enquanto, ônibus convencionais foram utilizados para as linhas integradas e eles mostram o nível de lotação que, na melhor das hipóteses, aponta uma presença média de dez pessoas em pé diante de todos os assentos ocupados. Para a SMTR esse é o padrão "ideal" de lotação de um ônibus, embora não raro os veículos fiquem superlotados, até fora dos horários de picos.

Esse impacto negativo já era observado nas linhas do Transcarioca. BRTs percorriam os entornos de Jacarepaguá superlotados ou com todos os lugares para sentados ocupados e um terço da capacidade de passageiros em pé ocupado. Neles o impacto da baldeação já afetava a validade do Bilhete Único.

O secretário municipal Rafael Picciani acredita ser "improvável" a ampliação do tempo de validade do Bilhete Único. Ele se limitou a sugerir para os passageiros que se deslocarem da Alvorada ao Centro a usarem a baldeação em São Conrado e não no Rio Sul. Já os representantes do sindicato patronal Rio Ônibus recomendavam o Rio Sul.

Enquanto isso, as ruas ficam congestionadas com mais carros. e a redução de ônibus nas ruas faz com que os mesmos fiquem cada vez mais lotados. Os passageiros perdem mais tempo e dinheiro para se deslocarem que a solução é se isolar nos seus bairros mesmo.

Enquanto isso, continua a sobreposição de comerciais de automóveis na televisão, fator que influencia os consumidores a comprar mais carros. No horário nobre da televisão, um mesmo intervalo comercial chega a transmitir dois comerciais de marcas de carros. As ruas cariocas mostram que o Rio de Janeiro tornou-se o "túmulo" da mobilidade urbana.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

PARA NÃO PREJUDICAR TURISMO, MÍDIA MINIMIZA EFEITOS DE PRIMEIRO DIA DE MUDANÇAS NOS ÔNIBUS


Cobertura morna foi feita pela grande imprensa no primeiro dia de alterações nas linhas de ônibus do Rio de Janeiro. Embora "admitisse" que houve queixas e confusão entre os passageiros, a avaliação da mídia foi um dia "tranquilo". Tomadas eram feitas em pontos intermediários. Pontos iniciais eram evitados para não mostrar o grosso da confusão.

Visando não prejudicar o turismo, a mídia teve que moderar nas críticas, já que reportagens negativas sobre o Rio de Janeiro costumam repercutir na mídia internacional, como CNN e BBC, e causar apreensão aos estrangeiros, que poderiam cancelar viagens turísticas programadas para o período das Olimpíadas de 2016.

Dessa forma, pouco se reportou sobre a mudança. A realidade não foi mostrada pela mídia, com terminais cheios, passageiros indignados e longas esperas por um ônibus. A baldeação foi incômoda e demorada, e as bandeiras dos ônibus, alternando dados de informação entre o destino do ônibus e o tipo de linha integrada, confundiam os passageiros, já desnorteados pela pintura padronizada.

O fluxo do Terminal da Central aumentou consideravelmente, com a chegada dos passageiros que, antes, se mantinham sentados nos ônibus da Zona Norte que eram destinados à Zona Sul. Com a mudança, tiveram que desembarcar ali, na esperança de pegar um assento num ônibus no seu ponto inicial, o que foi em vão. De dia e de noite, os horários de pico eram bem problemáticos.

Mesmo os ônibus mais "vazios", principalmente em horários de movimentos menores, tinham uma lotação correspondente a todos os assentos sentados e cerca de dez passageiros em pé. Esse é considerado o "padrão ideal" de lotação segundo os tecnocratas da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR).

Passageiros tiveram que viajar em pé para não se atrasarem no trabalho ou nos estudos. Muitos passageiros também se dirigiam aos bancos, já que os bancários anunciaram ontem que iniciariam greve hoje. Passageiros que quiseram pegar lugares sentados chegavam a esperar pelo quarto ou quinto ônibus e prestar atenção no tumulto de passageiros.

Portanto, a avaliação do primeiro dia foi tumultuada, e tudo indica que continuará assim mesmo.

domingo, 4 de outubro de 2015

RAFAEL PICCIANI ESTÁ POLITICAMENTE INTEGRADO A EDUARDO CUNHA E AÉCIO NEVES


As duas fotos mostram como realmente é a inclinação do secretário municipal de Transportes do Rio de Janeiro, Rafael Picciani, com a coisa pública. Aqui ele aparece em "boa companhia" com os políticos que, segundo ele, irão "racionalizar" a política no Brasil.

Eduardo Cunha (o deputado, não confundir com o busólogo) é famoso pelas "pautas-bombas" feitas para degradar o mercado de trabalho, botar adolescentes pobres nas cadeias, forçar idosos a trabalhar mais e impedir que novas estruturas de vida familiar sejam institucionalmente reconhecidas.

Aécio Neves é um fanfarrão político que, como seus colegas do PSDB, só enxugam o Estado para tirar dele as responsabilidades mais essenciais (como Educação e Saúde além de serviços essenciais, como saneamento) e deixar as supérfluas (como o poder centralizado nos sistemas de ônibus, através de ditatoriais Secretarias de Transportes) para seus cofres pessoais.

O deputado Cunha tem currículo de corrupção quando fazia parte do esquema de propinas na Petrobras, investigada hoje pela Operação Lava-Jato. Dava a palavra final em muitas decisões desse esquema e ainda recebia uma grande soma de dinheiro que ele depositava para si e seus familiares em contas na Suíça, conhecido paraíso fiscal (baixos impostos e facilidades em depósitos em contas bancárias).

Aécio Neves, por sua vez, é acusado de usar dinheiro dos contribuintes para viajar para o Rio de Janeiro e para construir um aeroporto particular que o anedotário político já conhece como "Aécioporto". Sem falar das noitadas que muitos afirmam ser o lazer do político mineiro.

Já dá para perceber o quanto Rafael Picciani está tão preocupado com o povo carioca. E, como ele está com mania de desmentir as coisas, daqui a pouco ele vai botar a culpa dessas imagens no Photoshop. Enquanto isso, os ônibus "vazios" ficam ainda mais lotados nas ruas cariocas, por conta da "racionalização" do sistema...

sábado, 3 de outubro de 2015

SISTEMA DE ÔNIBUS DO RJ PERDE DE VEZ O SENTIDO DE TRANSPORTE PÚBLICO

A CANDELÁRIA É FIM DE LINHA PARA LINHAS COMO A 455.

Hoje o sistema de ônibus do Rio de Janeiro perdeu de vez o sentido de transporte público. Ele agora é oficialmente um sistema privativo da vontade de tecnocratas, burocratas e autoridades políticas. Desde a adoção da pintura padronizada as autoridades cariocas mostraram o estilo Eduardo Cunha (não o busólogo, mas o deputado) de ser, reflexo do autoritarismo do PMDB carioca.

Sob a desculpa de racionalizar o sistema de ônibus - termo sem o menor fundamento, porque trará efeitos contrários - , a Secretaria Municipal de Transportes da Prefeitura do Rio de Janeiro eliminará a ligação direta Zona Norte-Zona Sul em boa parte das linhas, obrigando os passageiros a fazer a incômoda baldeação, que não trará o conforto do primeiro ônibus e causará perda de tempo.

Isso não é racionalizar. Afinal, é conhecido que a Zona Sul é famosa pelo gigantesco congestionamento que existia até quando as linhas do ramal Norte-Sul circulavam plenamente. Com o fim das mesmas e a substituição pela baldeação para os BRTs do ramal Centro - Zona Sul, que não darão conta de toda demanda (vide o caso de Madureira), a coisa tende a piorar.

Hoje, sábado, o sistema tende a parecer "tranquilo", mas o resultado mesmo será observado na segunda-feira. Os passageiros já estão se preparando para acordar mais cedo para não se atrasarem no trabalho e nos ambientes de ensino.

A confusão acontecerá nos entornos da Candelária e Central, que receberão as demandas das linhas de percurso mutilado. Incidentes como os arrastões em Copacabana podem ser transferidos para o entorno da Av. Pres. Vargas. O metrô também tende a ter maior lotação.

Tudo isso não foi imaginado pelos tecnocratas que, trancados em seus escritórios, não devem conhecer os congestionamentos no trânsito carioca, daí a imposição de uma mudança que, literalmente, vai fechar o trânsito no Rio de Janeiro.

Enquanto isso, continua a sobreposição de comerciais de automóveis na televisão, em que um mesmo intervalo chega a mostrar três propagandas de montadoras de automóvel, fora os comerciais sobre peças ou objetos relacionados, como baterias para carros, pneus e postos de combustíveis. Eles continuam congestionando as mentes de pessoas que continuam usando carros sem necessidade.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

DECLARAÇÃO DE RAFAEL PICCIANI SUGERE QUE SISTEMA DE ÔNIBUS DO RJ É ENCAMPADO


O Secretário Municipal de Transportes, Rafael Picciani, ao anunciar, semanas atrás, o plano de "racionalização" das linhas de ônibus na cidade do Rio de Janeiro, deu uma declaração que deixou vazar que houve a chamada "encampação", a intervenção estatal nas empresas de ônibus que operam no município.

"Hoje, não existe mais uma lógica de concorrência que justifique a sobreposição de 64% das linhas. As empresas não concorrem mais: elas estão consorciadas e operam no sentido de um caixa único", disse Picciani, negando portanto a competitividade no sistema de ônibus.

Segundo essa declaração, fica claro que o sistema de ônibus no Rio de Janeiro tem uma administração centralizada - a SMTR (Secretaria Municipal de Transportes) atua com plenos poderes, e, em vez de fiscalizar, controla o transporte com mãos de ferro - e o caixa único já mostra que houve intervenção estatal, embora o serviço seja custeado pelas empresas particulares envolvidas.

Sabe-se, também, que os consórcios são na verdade grupos empresariais politicamente formados, e que surgiram contrariando aspectos da Lei das Licitações. O ponto observado, por exemplo, é que a licitação esconde as empresas através da pintura padronizada nos ônibus, que por causar confusão nos passageiros, contraria o artigo 12, que se refere à adequação ao interesse público.

A pintura padronizada também mostra um outro aspecto intervencionista: a palavra que mais se destaca é "Cidade do Rio de Janeiro", o que dá a crer que a Prefeitura do Rio de Janeiro se apropriou das frotas de ônibus, sendo a "administradora" de um serviço em que as empresas de ônibus, embora tenham ganho maior peso político, perderam a autonomia administrativa.

Por isso, a Secretaria Municipal de Transportes, em vez de fiscalizar e disciplinar o transporte, tem o poder centralizado e se limita a dar ordens e punir, usando uma lógica da ditadura militar. E, impondo a pintura padronizada, ela age como se fosse "dona" das frotas de ônibus, já que as identidades visuais das empresas foram substituídas pela imagem da Prefeitura do Rio de Janeiro.

Estes aspectos dão um forte indício de que o sistema de ônibus carioca opera como se tivesse havido uma intervenção estatal. Isso reflete no declínio do sistema de ônibus, porque a lógica que se vê no transporte coletivo é autoritária, ditatorial e tecnocrática.

Nada menos coletivo, nada mais distante do interesse público, do que o modelo de sistema de ônibus implantado no RJ há cinco anos.

sábado, 26 de setembro de 2015

TEMENDO PERDAS ELEITORAIS, PREFEITO EDUARDO PAES LIBERA LINHA 474 PARA FINS DE SEMANA E FERIADOS

LINHA 474 DA BRASO LISBOA JÁ TINHA OUTRA NUMERAÇÃO, 25, COMO MOSTRA ANÚNCIO DAS CARROCERIAS METROPOLITANA DE 1960.

Diante do impacto da repressão policial e dos arrastões envolvendo jovens vindos do Jacarezinho - as confusões, na verdade, teriam sido provocadas por rapazes de classe média de Copacabana e Ipanema - e com o risco de sofrer desgaste político que poderá causar perdas eleitorais em 2016, a Prefeitura do Rio de Janeiro decidiu manter a linha 474 nos fins de semana e feriados.

A medida é só um paliativo, porque continua valendo quase todo o plano de extinção das linhas diretas da Zona Norte e Zona Sul que forçará a baldeação Zona Norte X Centro e Centro X Zona Sul, e a brecha apenas tem como medida "permitir" o acesso da população do Jacaré para as praias de Copacabana e Ipanema.

Continuam comprometidas as idas de trabalhadores e estudantes, sobretudo moradores da Zona Sul que estudam na UERJ do Maracanã e moradores da Zona Norte que estudam na PUC de Gávea, que terão que fazer baldeação, perdendo tempo e dinheiro (o Bilhete Único só tem validade no tempo do itinerário do primeiro ônibus e as ruas são congestionadas).

A única coisa que será evitada é o agravamento dos incidentes conflituosos que tomaram conta dos noticiários nacionais e indicaram a vocação elitista das decisões do governo Eduardo Paes. Ele, que terá um sucessor de sua chapa para 2016 (não pode ser reeleito novamente), está pensando no êxito nas urnas.

Daí a minguada compensação de liberar a linha 474 para sábados, domingos e feriados. Nos dias úteis da semana, valerá o sacrifício de pegar o primeiro ônibus até a Candelária e enfrentar um BRT lotado para a Zona Sul. E isso com o Bilhete Único se esgotando provavelmente na chegada da Cidade Nova.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

UNIVERSITÁRIOS TAMBÉM SERÃO PREJUDICADOS COM MUDANÇAS EM LINHAS DE ÔNIBUS NO RJ


Não são somente os moradores pobres da Zona Norte os maiores prejudicados com o esquema de mudanças de linhas de ônibus a ser implantado no próximo mês, extinguindo a ligação direta entre Zona Norte e Zona Sul.

Mesmo as elites que usam ônibus e os trabalhadores que transitam entre as duas zonas serão prejudicados com a "racionalização" das linhas que obrigará os passageiros a pegar mais de um ônibus e, com isso, enfrentar a superlotação e a perda de tempo nos terminais de baldeação.

Os universitários que moram na Zona Sul e estudam em campus universitários localizados na Zona Norte, como o Campus do Maracanã da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), também serão prejudicados com as mudanças das linhas.

Uma das linhas envolvidas, a 455 Méier / Copacabana, que atende à área, terá seu percurso reduzido à Candelária. As linhas 456 e 457, como algumas para a Praça Barão de Drumond, terão percurso reduzido para o Mourisco, em Botafogo, ou para o Largo do Machado, não liberando os estudantes de baldeação para os lotados BRTs.

A complicação no deslocamento dos estudantes poderá influir na perda de rendimento escolar, além dos atrasos às aulas ministradas nas faculdades. Isso complicará o aprendizado, até porque o deslocamento apressado para não fazer perder a validade do Bilhete Único, usado na baldeação - que, com duas horas e meia de duração, "morre" ainda no trajeto do primeiro ônibus - será corrido.

Com isso, haverá falta de conforto - dificilmente o passageiro que viaja sentado no primeiro ônibus terá a mesma condição no segundo - e o estresse que fará o estudante ficar cansado e indisposto à assistir às aulas e a realizar as tarefas determinadas pelos professores.

As mudanças de linhas cariocas causarão, assim, um gravíssimo prejuízo, além de dificultar o deslocamento dos pobres da Zona Norte. Com os congestionamentos e atrasos, a mudança do sistema trará mais desemprego e complicará a formação acadêmica e profissional dos futuros cidadãos cariocas.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

VANDALISMO PODE SER REPASSADO PARA RAMAL CENTRO X ZONA SUL

VANDALISMO EM ÔNIBUS DA 474 EM COPACABANA, NO ÚLTIMO DIA 20.

A eliminação da ligação direta entre a Zona Norte e a Zona Sul, pela própria natureza do trânsito carioca, só irá complicar as coisas. Os apelos pouco convincentes das autoridades para as pessoas não utilizarem automóvel, que a gente logo percebe que são dados sem muita firmeza, vide o próprio lobby da indústria automobilística e sua sobreposição de campanhas publicitárias, dizem muito.

Por isso, o trânsito será sobrecarregado - já o é na Zona Sul, mesmo com muitos ônibus e a presença das linhas da Zona Norte - e a coisa só tende a piorar, pois mesmo os BRTs não serão muitos - é a "logística" da Secretaria Municipal de Transportes, que não abriu o jogo sobre o problema da superlotação de BRTs para o Rock In Rio - e os terminais do Centro ficarão mais confusos.


VANDALISMO EM ÔNIBUS DA LINHA 476, NO LEBLON, NO ÚLTIMO DIA 19.

Mas o que chama a atenção é que os vândalos e bandidos nem de longe se sentirão intimidados em fazer a baldeação. Pegar um ônibus e saltar poucos pontos adianta já é um hábito de ladrões e desordeiros. Eles não temem pegar mais de um ônibus, pagam mais de duas passagens porque sempre têm a esperança de cercar alguém numa praça e furtar tudo o que tem, como grana e celular.

Consta-se que os policiais estão fazendo marcação contra os jovens vindos do Jacarezinho. Não é por acaso que as ações são feitas contra ônibus das linhas 474 Jacaré / Jardim de Alah e 476 Méier / Leblon, que atendem a esses bairros.

VANDALISMO EM ÔNIBUS DA LINHA 476, NO LEBLON, NO ÚLTIMO DIA 19.

O vandalismo aumentou quando policiais prenderam um grupo de jovens estudantes que iam para a praia de Copacabana, vindos do referido bairro. A medida coincidiu com o anúncio do fim da ligação direta Norte X Sul pelo subsecretário de Planejamento da Prefeitura do Rio de Janeiro, Alexandre Sansão, que pelo jeito não tem como especialidade atender ao interesse público.

Afinal, a mudança das linhas, a ocorrer no próximo mês, pode significar uma contribuição para a chamada "limpeza étnica" nas praias da Zona Sul carioca, com a dificultação, através da baldeação e da cobrança do Bilhete Único, que se esgota já no primeiro ônibus, forçando o passageiro a quase sempre pagar mais uma tarifa, o que pesa mais no bolso dos mais pobres.

O "consolo" da "praia artificial" em Madureira não é suficiente para acalmar os ânimos do povo da Zona Norte. E, com a revolta que o povo terá com o fim das linhas diretas - eles já foram afetados com o fim de linhas como 465 Cascadura / Gávea - , o vandalismo tende a aumentar e ser repassado para o Centro e para o BRT do Centro X Zona Sul.

Cenas como se observam nas fotos acima, de vandalismo nos ônibus vindos do Jacarezinho, acontecerão na Av. Pres. Vargas e se repassarão para os BRTs. Os tumultos acontecerão no entorno da Central e da Candelária, locais já bastante tumultuados e que, com o fim das linhas diretas, sofrerão ainda mais com o aumento do fluxo de passageiros e com as ações de bandidos e vândalos.

A situação se tornará muito grave, a partir do próximo mês. E a indignação popular de ver que a Zona Norte só pode ser carioca pela metade, a cada vez mais proibida de ir para a Zona Sul, só transformará o Rio em desordem e até guerra civil. O povo trabalhador da Zona Norte será afastado da Zona Sul. Já os vândalos vão pegar a baldeação sem problema. Eles é que nada têm a perder.

sábado, 19 de setembro de 2015

ROCK IN RIO 2015: CHEGADA DO PÚBLICO À CIDADE DO ROCK FOI UM SUFOCO

Os passageiros foram tratados como gado. Isso costuma ser um lamento de internauta indignado, visão combatida pelos sarcasticamente otimistas busólogos patronais - que "embarcam" nos pontos de vista ditados por políticos e empresários - , mas é a realidade vivida pelos passageiros que pegaram os ônibus BRT destinados à Cidade do Rock, em Jacarepaguá, local de realização do Rock In Rio 2015.

O público do festival enfrentou filas muitíssimo longas, fora o congestionamento de chegada ao local, resultante sobretudo pelas obras que estão sendo feitas visando as Olimpíadas de 2016. Percursos longos e poucos ônibus também motivaram o transtorno, e os BRTs chegavam ao local do evento superlotados.

A SMTR prometeu fazer "melhorias", aumentando catracas de acesso na estação de BRT e "futuros ajustes" para os próximos dias. Só não falou como resolverão a superlotação que os ônibus articulados já sofrem no cotidiano e que se agravaram por causa do festival de música. É pouco provável que esse problema seja resolvido, devido à lógica operacional da secretaria.

Aqui estão algumas imagens capturadas do portal G1, através do vídeo do RJ TV Primeira Edição (Rede Globo). As imagens correspondem à ida e à volta dos fãs que foram assistir ao evento.







sábado, 12 de setembro de 2015

ACIDENTE COM ÔNIBUS EM PARATY É AVISO SOBRE NOVA LICITAÇÃO DE METROPOLITANAS


Cinco dias depois de ter sofrido um trágico acidente na comunidade de São Roque, em Paraty, Sul do Estado do Rio de Janeiro, outro acidente ocorreu no município, ontem, causando duas mortes. O acidente do dia 06 matou 15 pessoas e o ônibus estava superlotado.

O acidente expôs os problemas da Colitur Transportes Rodoviários Ltda., empresa sediada em Barra Mansa e que operava o transporte no município. A identidade visual da empresa foi crucial para as pessoas perceberem que a empresa é deficitária.

Tida erroneamente como apelo estético e publicitário, a exibição da identidade visual da empresa, cada vez mais descartadas por processos de "licitação" - que na verdade contrariam a Lei das Licitações - devido à pintura padronizada imposta, que oculta diferentes empresas em uma mesma pintura, que enfatiza o poder estatal sobre a livre iniciativa empresarial.

A intervenção estatal explicitada, porém nunca assumida, pelas autoridades que impõem pintura padronizada nos ônibus, é uma realidade que se observa não somente pelo desfile de logotipos que a medida causa, enfatizando o órgão estatal controlador em que o nome da empresa é deixado em segundo plano, para não dizer ocultado.

O acidente mostra que, se fosse com a pintura padronizada, a empresa de ônibus só é lembrada nos acidentes, o que representa uma propaganda negativa que a PP impõe à empresa de ônibus, e isso pode ser constatado com uma análise não muito difícil de fazer.

IDENTIDADE VISUAL PERMITIRIA RECONHECER A EMPRESA NÃO SÓ PELOS DEFEITOS

Quando é permitido exibir a identidade visual, como era de praxe antes, a empresa de ônibus seria reconhecida não só de forma negativa, mas também de forma positiva. Nos últimos anos, empresas cariocas como Paranapuan e Pégaso só são reconhecidas pelos seus defeitos.

Quando se lança um protótipo de novo ônibus, nas feiras de transporte, a empresa de ônibus não é reconhecida. Os "louros" acabam se voltando para a prefeitura ou para o governo estadual, o aspecto positivo acaba sendo associado ao poder estatal,

Sem a identidade visual a mostrar - a empresa não pode sequer exibir logotipos comemorativos, sem uma imagem própria a zelar - , a empresa submetida à pintura padronizada acaba representando, isso sim, o apelo estético e publicitário do poder estatal, já que o visual padronizado nem de longe traz funcionalidade para o sistema, tudo não passa de outdoor político dos governantes associados.

Daí que o acidente da Colitur é um grande aviso, não só para os processos ilícitos de "licitação" que se faz para os sistemas de ônibus, escondendo as empresas licitadas com uma mesma pintura adotada, mas para o próximo a ser adotado nas linhas intermunicipais para o Rio de Janeiro, envolvendo 21 outros municípios.

O projeto, a ser bolado por Jaime Lerner - político da ditadura militar que bolou o hoje decadente sistema de ônibus de Curitiba - , poderá trazer empresas com o desempenho da Colitur ou da extinta Trans1000, repetindo nas linhas intermunicipais o mesmo drama que acontece com as linhas municipais no Rio de Janeiro.

O risco de empresas de ônibus sofrerem acidentes na Ponte Rio-Niterói ou na Av. Brasil, causando mortes e tudo - principalmente com ônibus caindo na Baía da Guanabara - será altíssimo, até pelo poder centralizado do Estado, que cada vez mais mostrará a diferença entre mandar e fiscalizar, entre dar ordens e disciplinar.

A ditadura militar, no geral, veio com esse discurso autoritário sob o pretexto de disciplinar. Além disso, o caso recente do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha - ligado ao mesmo PMDB carioca de Eduardo Paes e Luiz Fernando Pezão - , com seu autoritarismo e sua ganância em eliminar conquistas sociais, já mostra o quanto mandar não é a mesma coisa que fiscalizar.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

POLÍTICO DA DITADURA MILITAR PLANEJARÁ PADRONIZAÇÃO VISUAL DE LINHAS METROPOLITANAS DO RJ


A tão temida pintura padronizada nos ônibus intermunicipais com destino Rio de Janeiro, anunciada pelo secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osório - uma das expressões do PMDB carioca, nacionalmente simbolizado pelo deputado Eduardo Cunha - , terá como planejador o próprio Jaime Lerner, que foi prefeito biônico de Curitiba durante a ditadura militar.

Filiado à ARENA, Lerner se formou em Arquitetura quando a Universidade Federal do Paraná tinha como reitor Flávio Suplicy de Lacerda, que, como ministro da Educação do governo do general Castelo Branco, planejou a substituição da UNE por uma entidade estudantil ligada ao regime militar e tinha em mãos um plano para privatizar as universidades públicas.

Lerner, espécie de Roberto Campos do transporte coletivo (em alusão ao famoso economista que impôs o arrocho salarial e determinou a queda do poder de compra dos trabalhadores), planejou o famoso sistema BRT para o transporte coletivo em 1974, como resultado de um plano elaborado durante o período do general Emílio Garrastazu Médici.

O plano foi adotado em Curitiba, na qual Lerner foi prefeito-biônico (nomeado pela ditadura), em duas etapas, em 1974 e 1982, quando ele já era governador do Paraná. Na segunda etapa, Lerner lançou os famosos ônibus articulados.

Como político, Lerner, descontando a imagem glamourizada de arquiteto urbanista - apesar dele seguir a mesma diretriz ideológica de Roberto Campos na Economia, que valeu a este o apelido pejorativo de Bob Fields - , é famoso por ser um governante corrupto e privatista obsessivo.

Lerner chegou a ser condenado por improbidade administrativa, mas como nesses casos de impunidade aos poderosos, ele foi "inocentado". Ele também é famoso por sempre ter feito péssimas políticas salariais para os trabalhadores e por ter feito medidas contrárias às necessidades das classes populares.

Lerner também foi padrinho político de José Richa (já falecido), acolhendo-o quando ele vinha de Londrina, no interior paranaense, para criar reduto político na capital do Estado. Recentemente, seu filho, o hoje governador paranaense Beto Richa, ordenou uma violenta repressão contra professores em greve, que gerou grande repercussão nacional.

Quanto às linhas a serem "trabalhadas" por Lerner, elas envolvem importantes linhas urbanas e executivas ligando municípios como Niterói, São Gonçalo e a região da Baixada Fluminense com destino para a cidade do Rio de Janeiro.

O sistema de ônibus imposto por Jaime Lerner e ancorado na pintura padronizada nos ônibus, redução de ônibus em circulação e outros artifícios sofre hoje um grave processo de decadência, com denúncias de corrupção empresarial, favorecida pela proibição da identificação visual.

O sistema de ônibus de Curitiba e sua região metropolitana piorou a ponto de ter aumentado o trânsito de automóveis nas suas ruas e avenidas, e a corrupção político-empresarial é tanta mas não é devidamente divulgada pela imprensa porque os empresários de ônibus impõem censura aos jornalistas de lá.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

BRT TRANSCARIOCA CIRCULA COM GRANDE LOTAÇÃO


A dura realidade vivida pelos cariocas, depois que várias linhas de ônibus tiveram percurso mutilado - 332 Castelo / Taquara (Via Copacabana), 465 Cascadura / Gávea, 676 Méier / Penha, 689 Méier / Campo Grande, 910 Bananal / Madureira e 952 Penha / Praça Seca - , é observada nos ônibus BRT da Transcarioca que circulam nos corredores do Fundão, Madureira, Jacarepaguá e Barra da Tijuca.

Ônibus lotados que, mesmo em horários de menor movimento, já têm todos os assentos ocupados, e que simplesmente ficam superlotados nos momentos de pico, são uma realidade indiscutível que só as autoridades não veem. Pior: não há ônibus a toda hora e nota-se que até para entrar num BRT a espera, se não é muito longa, é suficiente para desqualificar o sucesso do sistema.

Algumas avenidas são congestionadas, dificultando a transferência dos BRTs de avenidas exclusivas para outras através de avenidas de trânsito geral. Alguns veículos têm estado de conservação problemático, apresentando alguns amassados ou lataria sacolejante.

Quanto aos trajetos mutilados, uma realidade pôde ser observada na última sexta-feira, dia 04, às 16h30, quando, dentro de um ônibus da 368 Castelo / Rio Centro - ônibus comum, com ar condicionado - , um passageiro foi telefonar, com seu celular, para uma amiga e, num dado momento da conversa, ele lamentou a respeito da condição de seu Bilhete Único.

Ele afirmou que o cartão eletrônico só tem duas horas e meia de validade e ele se esgotaria no fim do passeio do 368, o que obrigaria ele a pagar outra tarifa no próximo ônibus que pegar. Só que ele não estava com dinheiro da tarifa e perguntou para a amiga se poderia oferecer uma carona para ele.

São dramas assim que aumentarão com o sistema de ônibus que eliminará a ligação Zona Norte-Zona Sul a partir de outubro. Até porque as linhas de cada zona para o Centro já têm mais de duas horas de percurso e, com a cidade cada vez mais congestionada, sobretudo com a redução gradual de ônibus em circulação, esse tempo pode aumentar drasticamente.

Na prática, as pessoas terão que pagar duas tarifas se quiserem ir de ônibus. Será muito mais caro usar o transporte coletivo.

sábado, 29 de agosto de 2015

BAIRRO DA ZONA SUL QUE "SOBRARÁ" PARA POBRES, FLAMENGO É REDUTO DE INSEGURANÇA


Diante do projeto de Alexandre Sansão de eliminar linhas para a Zona Sul, sob o pretexto de "melhorar o trânsito" - como se os ônibus, e não os automóveis, fossem os culpados pelos congestionamentos - , as praias de Flamengo e Botafogo são as únicas a restarem para a população pobre que puder pegar os ônibus que restarão, destinados a Mourisco, Largo do Machado e, quando muito, a estação de Siqueira Campos, numa área "tímida" de Copacabana.

Para Siqueira Campos, vale lembrar, serão destinadas linhas de grande espera, por serem de baixa frota. A redução de ônibus em circulação e o recuo de trajetos que se tornam cada vez mais distantes dos destinos originais restringirá grande demanda, que terá que se contentar com os acessos para Flamengo e Botafogo, os "últimos refúgios" das periferias da Zona Norte.

Só que as áreas já são marcadas pela insegurança e o acesso às mesmas não é fácil. As passarelas são lugares onde acontecem mais assaltos, principalmente a recente moda dos bandidos armados apenas de faca. Bolsas e telefones celulares são os objetos mais cobiçados pelos ladrões. As áreas também são redutos de usuários de crack.

As avenidas do Aterro do Flamengo, como Infante Dom Henrique e Nações Unidas, são mais corredores de passagens e, pela sua estrutura, são acessos pouco seguros até mesmo para quem mora nas proximidades, como Glória, Largo do Machado, Laranjeiras e os bairros das referidas praias, homônimos a times de futebol.

No caso de uma grande demanda para as praias, já que a "expulsão" de moradores da Zona Norte das praias de Leme, Copacabana, Arpoador e Ipanema criará uma superpopulação para Flamengo e Botafogo, sobrecarregando as passarelas.

Outro aspecto é que não há uma política de abrigo para moradores de rua e sem-teto, que se amontoam em vários lugares do entorno do Parque do Flamengo. O local tem 50 anos de existência, tendo sido inaugurado em 1965, sendo já um problemático lugar para frequentar os eventos culturais nele realizados.

Além disso, o banho de mar é considerado problemático, já que especialistas apontam Flamengo e Botafogo como praias impróprias para banho. O que pode fazer com que os banhistas corram uma séria ameaça potencial de ficarem doentes e contraírem virose apenas se mergulhando na água.

Sendo parte da Baía da Guanabara, famosa pela poluição, o risco existe e não pode ser ignorado. Dias atrás, num evento-teste de windsurfismo, um atleta sul-coreano adoeceu apenas porque caiu na água. Ele contraiu dores de cabeça, febre e teve vômito, sintomas típicos de quem contraiu virose.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

ALTERAR MUDANÇA DE LINHAS CUSTOU CARGO A ALEXANDRE SANSÃO


A repercussão negativa de certas medidas faz com que até protegidos políticos sejam expulsos de cargos. Poucos se lembram, mas no ano passado a mudança de itinerários de linhas de Alexandre Sansão acabou influenciando na sua saída do cargo de secretário de Transportes, substituído pelo inexpressivo Rafael Picciani, de uma família de juristas e políticos.

Sansão foi o primeiro secretário de Transportes na primeira gestão do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. Foi ele que impôs pintura padronizada e dupla função do motorista-cobrador, medidas autoritárias, contrárias à lei e ao interesse público, que influem direta e indiretamente na decadência do sistema de ônibus do Rio, que, mesmo imperfeito, era bom e servia de referência para o país.

Depois de 2010 isso mudou e o sistema de ônibus se tornou o pior do país. Pior: com o Rio de Janeiro ainda sendo referência para o país, esse modelo foi exportado para cidades como Recife e Florianópolis, que à sua maneira veem a decadência vertiginosa de seus sistemas de ônibus se agravar com a corrupção acobertada pela "lona" da pintura padronizada.

Sansão deixou o cargo pouco depois e Carlos Roberto Osório, ligado a dirigentes esportivos, sobretudo o COB de Carlos Arthur Nuzman, assumiu o posto e estendeu a abominável pintura padronizada aos ônibus rodoviários, ainda com o visual mais confuso do que os urbanos.

Depois Carlos Roberto deixou o cargo para concorrer ao Legislativo, e em seguida virou secretário de Transportes do governo estadual, já ameaçando a tenebrosa medida para ônibus intermunicipais para a cidade do Rio de Janeiro, poluindo os ônibus do Estado com pinturas que não passam de propaganda política de secretarias de Transportes, vigente em várias cidades.

Com a saída de Carlos Roberto, voltou Sansão para o cargo municipal e ele decidiu esquartejar trajetos funcionais e tradicionais de ônibus, sob a desculpa de "melhorar o trânsito" com menos ônibus nas ruas, e sob o pretexto de "evitar itinerários sobrepostos".

A imprensa já começa a noticiar esse processo de mudanças como um projeto de segregação social. A substituição de linhas diretas por trajetos mutilados e a redução de ônibus em circulação, além de provocar a superlotação de BRTs e os tumultos nas estações, dificulta às populações suburbanas o acesso às praias da Zona Sul e de parte da Zona Oeste.

A eliminação de trajetos exclusivos como 465 Cascadura / Gávea (antiga 755), 676 Méier / Penha, 910 Bananal / Madureira e 952 Penha / Praça Seca, que faziam percursos exclusivos, substituídas por "alimentadoras" que às vezes não passam de clones de linhas já existentes, causou uma péssima repercussão e foram rejeitadas pelos cariocas, apesar da medida continuar valendo.

Pelo contrário, o que se viu foi justamente a sobreposição de percursos, não bastasse a redução de trajetos e ônibus em circulação ter criado a superpopulação nas estações de BRT, que agora rodam superlotados a ponto de muita gente defini-los como "latas de sardinhas".

Vieram acidentes, congestionamentos, superlotações. E isso causou uma repercussão negativa que pesou negativamente na imagem do secretário Sansão. Sofrendo pesadíssimas críticas e abalado pela pressão dos noticiários, Sansão foi tirado do cargo e, como ele era protegido de Eduardo Paes, foi transferido para o cargo de subsecretário de Planejamento.

Agora, no atual cargo, Sansão recomeça a viver o pesadelo de 2014 quando anunciou outro esquartejamento de itinerários. Com um contexto ainda pior, já que o projeto de eliminação de linhas da Zona Norte para a Zona Sul coincide com a repressão policial a jovens pobres que iam para as praias por ônibus e também com a fama de autoritário do deputado federal Eduardo Cunha.

Dessa forma, o projeto de Sansão é comparado a um processo "higienista" manifesto pela repressão a jovens que vinham da Zona Norte de ônibus para curtirem as praias da Zona Sul. Como integrantes do povo carioca, os jovens das periferias tendem a ser proibidos de curtirem as praias da própria cidade, com a dificultação do acesso por ônibus, com o fim das linhas diretas.

Já o caráter autoritário de Alexandre Sansão, apesar do jeito aparentemente tímido e racional do subsecretário, já está sendo comparado por muitos com a fama de arbitrário de Eduardo Cunha, o presidente da Câmara dos Deputados que é do mesmo PMDB carioca ao qual estão ligados Eduardo Paes, Luiz Fernando Pezão e, de certa forma, Carlos Roberto Osório e Alexandre Sansão.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

CRÔNICA DE UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA EM FOTOS

Enquanto o subsecretário de Transportes da Prefeitura do Rio de Janeiro, Alexandre Sansão, fala mil maravilhas sobre a mudança das linhas de ônibus da Zona Sul, recolhemos amostras de fotos de vários veículos da imprensa carioca como uma amostra do que estará por vir.

BRTs e metrôs superlotados, pontos de ônibus cheios de gente, longas esperas por ônibus, trânsitos congestionados. Isso é o que os chamados "especialistas" em mobilidade urbana não admitem ou, quando assim o fazem, tentam minimizar seus efeitos. A realidade nega veementemente esses argumentos.

Aqui mostraremos fotos de vários episódios que dizem muito mais do que promessas otimistas. São registros verídicos que indicam o que virá por aí a partir de outubro e o que os cariocas irão aguentar todos os dias, com muito mais frequência. As fotos foram extraídas de várias fontes e em seus arquivos foram dados os créditos de autoria e as fontes.
















sexta-feira, 21 de agosto de 2015

PROJETO DE LINHAS PARA ZONA SUL DO RJ É FORA DA REALIDADE E PODE GERAR 'APARTHEID' SOCIAL

A LINHA 177 É UMA DAS QUE SERÃO EXTINTAS.

Uma das mais perversas alterações do sistema de ônibus do Rio de Janeiro terá seus piores momentos a partir de outubro, quando a temida ligação Zona Norte-Zona Sul por ônibus será extinta num pacote de reformulação de linhas feito pelo subsecretário de Planejamento da Prefeitura do Rio de Janeiro, Alexandre Sansão.

Completamente alheio à realidade dos passageiros de ônibus, Alexandre Sansão, como seu inspirador Jaime Lerner (político e arquiteto paranaense ligado à ditadura militar), pensa a mobilidade urbana através de fórmulas matemáticas e aplicativos de Informática, e por isso anunciou que pretende substituir 33 linhas de ônibus por cinco "troncais" da Zona Sul para o Centro e Barra da Tijuca.

Alegando querer "racionalizar" o trânsito no Rio de Janeiro, ele já ceifou várias linhas de ônibus funcionais, substituídas por trajetos esquartejados feitos por linhas "alimentadoras", para atender a baldeação, sob tarifa do Bilhete Único, nos terminais de Madureira, Alvorada e Fundão.

Linhas tradicionais, funcionais, de grande demanda e percursos exclusivos como 465 Cascadura / Gávea, 676 Méier / Penha, 910 Bananal / Madureira e 952 Penha / Praça Seca foram extintas e substituídas por trajetos que correspondem a qualquer das metades dessas linhas.

ATITUDE DO SUBSECRETÁRIO ALEXANDRE SANSÃO CHEGA A SER COMPARADA, EM ARBITRARIEDADE, AO DEPUTADO CARIOCA EDUARDO CUNHA.

A atuação de Alexandre Sansão já está sendo comparada, em arbitrariedade, ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, uma vez que a substituição das linhas, a exemplo dos casos anteriores, será feita por linhas de BRT que só compensarão parcialmente os ônibus que serão tirados de circulação com as linhas desativadas ou mutiladas.

Eduardo Cunha é conhecido por adotar pautas anti-populares, como a terceirização do mercado de trabalho (que desqualifica a mão-de-obra e elimina garantias sociais), e pelo seu estilo prepotente de comandar parte do Poder Legislativo.

A comparação faz sentido porque Eduardo Cunha é do mesmo PMDB carioca ao qual pertence o governante a quem Sansão está subordinado, o prefeito carioca Eduardo Paes. O PMDB do Rio de Janeiro é hoje conhecido por decisões autoritárias que contrariam o interesse público e as leis.

Entre as linhas que serão extintas estarão a 121 Central / Copacabana e a 177 Praça Mauá / São Conrado, substituídas pelas troncais Centro-Zona Sul. Linhas circulares da Zona Sul serão extintas para dar lugar a troncais da Zona Sul para a Barra da Tijuca.

Já linhas tradicionais, como 455 Méier / Copacabana, 474 Jacaré / Jardim de Alah e 484 Olaria / Copacabana terão percurso reduzido para o Centro. A ligação direta Zona Norte-Zona Sul será extinta, ameaça que surgiu quando o projeto foi divulgado por tecnocratas do COPPE-UFRJ (Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

É aí o ponto mais grave da mudança de linhas, o que poderá gerar um sério apartheid social, já que, embora não haja proibição formal dos moradores dos subúrbios se deslocarem para a Zona Sul e vice-versa, o acesso a ela, sobretudo para suas praias, será seriamente dificultado.

Com as mudanças, os passageiros da Zona Norte serão obrigados a pegar ônibus para o Centro e, daí, pegar ônibus para a Zona Sul. Do contrário que Alexandre Sansão e similares afirmam, ela não é tão fácil e quase nunca é confortável, porque quase sempre quem viaja sentado no primeiro ônibus é obrigado a ficar em pé no segundo.

O tumulto das linhas da Central já é muito com a estrutura atual de linhas, Observa-se longas filas e a tentativa dos fiscais de evitar o tumulto no embarque das linhas, que saem quase sempre lotadas. Com a extinção dos trajetos diretos, as demandas que eram atendidas por linhas vindas da Zona Norte se somarão à demanda do terminal.

A sobrecarga de passageiros irá intimidar muita gente a enfrentar o desconforto das novas linhas. Risco de assédio sexual e furtos será muito grande. A confusão já é vista em BRTs do Fundão, Madureira e Alvorada, e o ar condicionado em ônibus de janelas fechadas só agrava o desconforto. Uma reportagem mostrou uma passageira chorando por se sentir sufocada em um BRT superlotado.

E aí, somando tudo isso com a extinção de linhas para a Zona Sul, a demanda será inevitavelmente caótica. Isso será muito grave, porque os ônibus sairão sempre lotados. Daí que diplomas e cargos técnicos não são suficientes para trazer uma abordagem consistente de mobilidade urbana. Sem a vivência da realidade do povo, compreender o sistema de ônibus se torna inútil.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

PINTURA PADRONIZADA E PERCURSOS MUTILADOS PODEM FAVORECER TRANSPORTE IRREGULAR NO RJ

VAN IRREGULAR É APREENDIDA POR FISCAIS, EM 2013.

A mania de "fiscalizar" da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) da Prefeitura do Rio de Janeiro não a isenta de práticas autoritárias e decisões equivocadas que estimulam as irregularidades cometidas pelo sistema.

Medidas antipopulares e comprovadamente prejudiciais como a pintura padronizada nas empresas de ônibus e a mutilação de importantes percursos viários, como as linha 332 Castelo / Taquara (via Copacabana), 465 Cascadura / Gávea, 676 Méier / Penha e 952 Penha / Praça Seca podem estimular a prática de transporte irregular no Rio de Janeiro.

O jornal O Dia denunciou, há poucos dias, que percursos de linhas licitadas, como 778 Cascadura / Pavuna e 265 (a reportagem ainda credita como 261), que vai do Castelo para Marechal Hermes, estariam sendo feitos por kombis e vans irregulares, algumas financiadas pelo crime organizado.

A reportagem não informou se as linhas mutilidadas seriam compensadas por esses veículos, já que os passageiros agora só podem pegar linhas "alimentadoras" que cobrem parcialmente os antigos trajetos, por causa do Bilhete Único. Sabe-se, porém, que o serviço paralelo de vans, tempos atrás, cobria trajetos como os da 676 e 952.

Com a pintura padronizada, a irregularidade do transporte coletivo é evidente. Afinal, com diferentes empresas de ônibus ostentando a mesma pintura, ônibus antigos descartados podem circular com as mesmas cores, como já acontece em Brasília.

Se a confusão já acontece com o troca-troca de empresas nas linhas e também as mudanças de nomes, a coisa pode também estimular a ação dos piratas. Pintura padronizada não traz qualquer tipo de transparência para o sistema de ônibus, fato comprovado pelo dia a dia dos passageiros.

FISCALIZAÇÃO MAIS AUSTERA NÃO RESOLVE

Aumentar o rigor na fiscalização não resolve, porque aumentará a burocracia e o autoritarismo da respectiva Secretaria de Transporte, e também não trará grande benefício para o passageiro. Afinal, as irregularidades em questão são riscos estimulados pelo caráter autoritário e ineficiente das medidas impostas pelo poder público.

Isso porque muito desse controle é privativo das autoridades e dos empresários e não se pode exigir dos passageiros essa mesma especialização técnica. A proibição dada às empresas de ônibus de exibir suas próprias identidades visuais é crucial para ocorrer irregularidades diversas que os passageiros são sempre os últimos a saber.

Quanto aos percursos mutilados, o potencial risco das extintas linhas serem cobertas pelo transporte clandestino, uma vez reprimido, não resolverá o problema, já que as linhas "alimentadoras", pela sua natureza, promovem atrasos de horário diversos e, da transferência do primeiro para o segundo ônibus, o passageiro nem sempre tem o conforto de viajar sentado.

Portanto, essas irregularidades ocorrem em função desse modelo de transporte coletivo que existe. Aumentar o rigor da fiscalização, sobrecarregando a burocracia e o poder político, não trazem solução mesmo quando as irregularidades são eficientemente reprimidas.

O sistema de ônibus pode até se tornar menos irregular, mas ainda confuso, complicado e com muito pouca eficiência. Isso mostra o quanto um modelo autoritário e tecnocrático como o implantado no Rio de Janeiro em 2010 é decadente. Esse modelo é que é o problema, em si.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

SETRERJ RI DA CARA DOS NITEROIENSES COM "PORTAL DA TRANSPARÊNCIA"

PINTURA PADRONIZADA IMPEDE QUE TRANSPARÊNCIA SEJA EFETIVADA NO SISTEMA DE ÔNIBUS DE CIDADES COMO NITERÓI.

Não se sabe se é para rir ou para chorar. Segundo reportagem do jornal O Globo, o Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Rio de Janeiro (SETRERJ) anunciou que vai criar um"portal da transparência" com informações sobre frotas de ônibus, itinerários, horários de viagens e outras informações operacionais.

A informação, aparentemente, atende a uma cobrança da fracassada CPI dos Ônibus de Niterói, e apresentará também informações como quais os ônibus que possuem ar condicionado, aviso sonoro e conexão em wi-fi (Internet sem fio). No entanto, dados como a auditoria externa dos contratos e divulgação de planilhas para cálculo das tarifas não foram anunciados.

A medida é apenas um dos inúmeros paliativos que o sistema de ônibus de Niterói, que em 2012 passou a adotar o mesmo modelo vigente no Rio de Janeiro, apenas com algumas adaptações de contexto, que tentam, em vão, compensar a pintura padronizada que, segundo as autoridades, "tira o vínculo das empresas às linhas operadas".

FALTA DE FUNCIONALIDADE

Sem o direito de cada empresa de ônibus apresentar sua própria identidade visual, todos esses paliativos ocorrem em vão, porque a verdadeira transparência, que é o passageiro identificar a empresa não apenas pelo logotipo colocado na janela ou no letreiro digital, mas a pintura própria da mesma, não acontece.

Daí que soam inúteis ou, quando muito, de eficácia bastante limitada, medidas como exibir logotipos em janelas (como no caso da Viação Pendotiba, Auto Lotação Ingá, Viação Araçatuba e Expresso Barreto) ou em letreiros digitais (como no caso da Expresso Miramar).

Há também o paliativo de permitir a variação de design nos folhetos de itinerários colocados nos ônibus, o que soa bastante irônico e jocoso para os passageiros, uma vez que as palavras, em muitos casos, são difíceis de ler.

Existe até uma piada que, se a pintura padronizada dos ônibus do Rio de Janeiro apresenta uma estética de "embalagem de remédio", a pintura padronizada dos ônibus de Niterói vem com a bula colada nos seus respectivos veículos.

Colocar informações na Internet sobre as frotas ou lançar aplicativos GPS, como ocorre em algumas cidades, sobre dados de cada empresa, soa inútil, porque com a pintura padronizada fica sempre complicado. Paliativos como esses nem de longe conseguem resolver, até porque eles também são um tanto complicados.

As autoridades que promovem a pintura padronizada tentam, com essas medidas junto ao empresariado, se passar por "modernas" e apelar para a tecnologia, nem sempre eficiente, para tentar, em vão, descomplicar a confusão dos ônibus padronizados.

A confusão continua no cotidiano. É só observar a fileira de ônibus que passa pela Av. Visconde do Rio Branco, próximo à Rua Marechal Deodoro e o acesso ao Terminal João Goulart. A pintura única de cada consórcio, desvinculando as empresas da identificação visual, mas vinculando a mesma à Prefeitura de Niterói, é de deixar qualquer um com dor-de-cabeça com tantos ônibus iguaizinhos.

Daí que esse "portal da transparência" soa como uma piada para a população, porque esse portal poderá trazer tudo, menos transparência.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

CITY RIO, SOB O VÉU DA PINTURA PADRONIZADA, MUDA DE NOME

ÔNIBUS DA CITY RIO ENVOLVIDO EM TRÁGICO ACIDENTE, ENTRE BENFICA E CAJU, NO ENTORNO DA AV. BRASIL.

Os passageiros são sempre os últimos a saber. Com a pintura padronizada, os ônibus do Rio de Janeiro trocam as linhas e as empresas sem que o povo tenha noção exata do que acontece. A mesma pintura para todos os ônibus vira uma farra, o que contraria a tese dos tecnocratas que pintura padronizada traz transparência. Está provado que ela faz o contrário.

Pois mais uma empresa vai mudar o nome. A City Rio, que se desdobrou em Via Rio, enquanto virava Vigário Geral, voltou a ser City Rio e agora voltará a ser Vigário Geral. A medida veio poucos dias depois que o Procon lacrou vários ônibus na garagem conjunta da City Rio e Via Rio, que apresentavam várias irregularidades, sobretudo relativas ao estado dos carros.

Agora, o nome Vigário Geral virá mais implícito, como Viação VG. A nova empresa terá administrador isolado, já que o grupo Breda Rio ficará, no transporte carioca, administrando somente a Viação Algarve e a Via Rio, conhecida como Via Rio Class.

A proibição das empresas de ônibus cariocas de apresentar a própria identidade visual torna a diferença praticamente imperceptível. E, na prática, mudança de nome, nesse sistema vigente desde 2010, é como trocar o seis por meia-dúzia.