RENOVAÇÃO DE FROTA AGORA É USADA COMO PROPAGANDA ELEITORAL ANTECIPADA DA PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO.
As pessoas comuns, quando vão pegar um ônibus em uma cidade que adota pintura padronizada, não percebem a infinidade de desvantagens e problemas que essa medida traz, Além dos inúmeros atropelos legais - a pintura padronizada vai contra, por exemplo, artigos do Código de Defesa do Consumidor - , o fato de esconder empresas de ônibus sob um mesmo visual revela muitas confusões.
Em primeiro lugar, a confusão se revela ao caráter do sistema de ônibus diante desse véu de mesmice visual. Sendo um sistema de concessão, proíbe-se cada empresa de ônibus de ostentar sua identidade visual respectiva. O vínculo de imagem ao governo que a concede põe a concessão pela metade, uma vez que a imagem apresentada é a do poder político (prefeitura ou governo estadual) e não da iniciativa privada.
Dependendo das conveniências, o discurso das autoridades varia como bandeira ao sabor do vento. O discurso pode sugerir intervenção estadual, parceria público-privada ou mesmo a "manutenção do antigo sistema", só que com a tal "pinturinha".
E isso gera uma promiscuidade de público e privado, com empresários proibidos de exibir identidade visual, mas ganham maior peso eleitoral para eleger os governantes, em detrimento da vontade do povo. Os passageiros aceitam a pintura padronizada passivamente, sem saber do caos que se tornou o transporte coletivo.
Ninguém combate a pintura padronizada e os passageiros, com muita coisa a fazer, sobrecarregam as mentes já congestionadas de tantos compromissos. Além das contas diversas a pagar, o cidadão tem que diferir uma Viação Ideal de um Rodoviário A. Matias. O estudante de concurso público têm que memorizar, além do pesado programa de estudo, o que é São Silvestre, Vila Isabel e Estrela Azul.
O pior é que, por trás de tudo isso, a pintura padronizada favorece a corrupção empresarial. Empresas mudam de nome, linhas trocam de empresa, e os passageiros são os últimos a saber. Linhas de ônibus são servidas por mais de uma empresa e ninguém percebe quem é que faz um serviço bom ou ruim.
Aliás, a coisa mais piorou do que melhorou. Falam tanto de uma Paranapuan, Pégaso ou City Rio (que agora é VG - Vigário Geral), mas ninguém percebe uma Verdun caindo aos pedaços. Ou, se percebe, não sabe qual é a empresa. E a própria contradição que as autoridades expressam quando tentam definir o sistema como "administração estatal", "parceria público-privada" ou "concessão pública para serviço privado" cria desentendimentos diversos.
Os empresários de ônibus, impedidos de exibir as respectivas identidades visuais de suas empresas, acabam sucateando as frotas, por entender que é a Prefeitura do Rio de Janeiro que ficou com a imagem. A Prefeitura, com um rigor descomunal, com mais autoridade e menos responsabilidade, exige demais das empresas e atribui a elas o compromisso de serviço.
Tudo isso é resultante de uma série de confusões, de caráter legal, administrativo, ético e tantos outros âmbitos. E os passageiros de ônibus correm risco, sem saber. Ninguém combate a pintura padronizada, nem a imprensa, com tanta facilidade que age quando a ideia é expulsar um petista do poder, chega a esboçar um único esforço, por pequeno que seja.
Com isso, a pintura padronizada, com a ênfase dada ao logotipo de prefeitura, "partidariza" o sistema de ônibus, causando prejuízo para os passageiros, que acabam recebendo um serviço ruim e precisam queimar a mente para diferenciar uma empresa da outra e, na hora de reclamar sobre o serviço ruim de uma empresa, esta põe a culpa em outra.
Não dá para sobreviver nesse corredor de confusão. O povo deveria reagir e a imprensa mais ainda, contra a pintura padronizada nos ônibus que serve de véu para a corrupção e a politicagem.
quarta-feira, 27 de abril de 2016
quarta-feira, 16 de março de 2016
PRISÃO DE SUSPEITOS É PRECEDENTE PARA DEFINIR TROLAGEM COMO CRIME
BUSÓLOGOS FIZERAM TROLAGEM HUMILHANDO QUEM REPROVASSE A PINTURA PADRONIZADA NOS ÔNIBUS DO RIO DE JANEIRO.
A prisão de vários suspeitos acusados de despejar comentários racistas contra atrizes, apresentadoras e mulheres jornalistas, entre outras humilhações, abre um precedente para a punição de praticantes de trolagem, que podem ser enquadrados em crime de formação de quadrilha, entre outros motivos.
Um dos suspeitos, Tiago Zanfolin Santos, de 26 anos, acusado de estimular ataques raciais contra as atrizes Taís Araújo, Cris Vianna e Sheron Menezzes e a jornalista Maria Júlia Coutinho, a Maju, foi detido quando estava em Brumado, no interior da Bahia. Ele é funcionário de uma empresa de informática.
Outros suspeitos foram detidos em outras partes do país, como São Paulo e Santa Catarina. Há outros mandados de busca e apreensão, totalizando 11. Tiago foi identificado como um dos líderes de uma "organização criminosa" que realizava ofensas pela Internet.
A trolagem é cometida visando dois objetivos: defender valores pré-estabelecidos, relacionados ao poder do mercado, da mídia e da política, ou expressar preconceitos sociais graves. Seus praticantes estão associados desde à intolerância social contra negros e homossexuais até propagandistas de causas de extrema-direita.
BUSOLOGIA SOFREU TROLAGEM ENTRE 2010 E 2013
Uma onda de trolagens veio quando um pequeno grupo de busólogos do Rio de Janeiro passou a defender a pintura padronizada e outras medidas arbitrárias impostas pelo prefeito carioca Eduardo Paes.
Comentários agressivos, xingações e bordões do tipo "pare de falar besteira", dados contra quem discordava das arbitrariedades no transporte carioca, eram feitos ainda nos tempos do Orkut. Mas depois elas foram invadir até petições (abaixo-assinados digitais) contra a pintura padronizada e investir em ofensas pessoais gratuitas.
De repente, a busologia, que era um hobby que permitia o debate saudável sobre ônibus, virou um antro de intolerância e de "pensamento único" (num claro trocadilho com o Bilhete Único). Ofensas pessoais incluíam até mesmo o estado civil de busólogos, com humilhações violentas contra pessoas solteiras.
Dois principais suspeitos teriam promovido as trolagens, segundo denúncias de vários busólogos, que não quiseram revelar seus nomes. Um estava a serviço de uma prefeitura da Baixada Fluminense e chegou a criar um blogue de ofensas, intitulado "Comentários Críticos" - desativado após denúncias ao SaferNet, portal ligado a receber denúncias de crimes - , para humilhar busólogos diversos.
Outro, mais jovem, tornou-se mais tarde um colaborador de um grupo de busólogos. O rapaz costumava mandar mensagens usando pseudônimos diversos, inclusive de gente famosa, sempre com comentários "picantes" e "jocosos", sempre explorando o estereótipo de um "tarado gay".
Os dois foram denunciados pelos próprios amigos e a busologia do Rio de Janeiro sofreu uma crise, que fez com que a então ascendente prática fosse mais uma vez vítima de discriminação (era comum alguém que gostasse de ônibus fosse visto como estranho). Só que os busólogos do Rio de Janeiro passaram a sofrer discriminação por outro motivo: por estarem sempre brigando e xingando.
COMO SE DÁ A TROLAGEM
Geralmente, uma trolagem costuma surgir de repente, através de uma série de mensagens ofensivas que são publicadas quase ao mesmo tempo, num horário combinado com antecedência por um líder e seus amigos, não necessariamente cúmplices nestas práticas de humilhação.
O espaço varia, podendo ser uma página de recados da vítima, uma postagem ou um outro fórum na Internet. Os busólogos envolvidos recorreram a um abaixo-assinado contra a pintura padronizada nos ônibus cariocas.
A trolagem segue o mesmo caminho. Num primeiro momento, comentários irônicos são publicados, aparentemente sem agredir a vítima. Observa-se as gozações sutis e alguns lamentos sobre o ponto de vista da vítima.
Depois, quando a vítima percebe os comentários, independente de reação ou não - como, por exemplo, um simples ato de apagar tais mensagens - , o envio de mensagens continua massivo e começam a surgir as primeiras ofensas abertas.
Num terceiro momento, as mensagens partem para ofensas ainda mais violentas e ameaças. O líder da trolagem geralmente decide criar um blogue de ofensas, se utilizando indevidamente do conteúdo pessoal da vítima, reproduzido de forma pejorativa. Em casos extremos, o agressor passa a rondar a cidade onde vive a vítima, para intimidar.
Em 2015, casos de trolagem envolvendo famosos vieram à tona, chamando a atenção da opinião pública sobre a prática abusiva de humilhações na Internet. Pessoas que defendiam ideias e projetos retrógrados, só porque estavam na moda ou parecem novidade, além dos que despejaram comentários racistas e homofóbicos, passaram a chamar a atenção da Justiça e das autoridades policiais.
Daí que a prisão dos cinco suspeitos ligados aos ataques raciais contra famosas negras foi um precedente para condenar a trolagem na Internet, fazendo com que certos valentões pensem duas vezes antes de agredir alguém que não concorda com as convicções pessoais dos agressores.
A prisão de vários suspeitos acusados de despejar comentários racistas contra atrizes, apresentadoras e mulheres jornalistas, entre outras humilhações, abre um precedente para a punição de praticantes de trolagem, que podem ser enquadrados em crime de formação de quadrilha, entre outros motivos.
Um dos suspeitos, Tiago Zanfolin Santos, de 26 anos, acusado de estimular ataques raciais contra as atrizes Taís Araújo, Cris Vianna e Sheron Menezzes e a jornalista Maria Júlia Coutinho, a Maju, foi detido quando estava em Brumado, no interior da Bahia. Ele é funcionário de uma empresa de informática.
Outros suspeitos foram detidos em outras partes do país, como São Paulo e Santa Catarina. Há outros mandados de busca e apreensão, totalizando 11. Tiago foi identificado como um dos líderes de uma "organização criminosa" que realizava ofensas pela Internet.
A trolagem é cometida visando dois objetivos: defender valores pré-estabelecidos, relacionados ao poder do mercado, da mídia e da política, ou expressar preconceitos sociais graves. Seus praticantes estão associados desde à intolerância social contra negros e homossexuais até propagandistas de causas de extrema-direita.
BUSOLOGIA SOFREU TROLAGEM ENTRE 2010 E 2013
Uma onda de trolagens veio quando um pequeno grupo de busólogos do Rio de Janeiro passou a defender a pintura padronizada e outras medidas arbitrárias impostas pelo prefeito carioca Eduardo Paes.
Comentários agressivos, xingações e bordões do tipo "pare de falar besteira", dados contra quem discordava das arbitrariedades no transporte carioca, eram feitos ainda nos tempos do Orkut. Mas depois elas foram invadir até petições (abaixo-assinados digitais) contra a pintura padronizada e investir em ofensas pessoais gratuitas.
De repente, a busologia, que era um hobby que permitia o debate saudável sobre ônibus, virou um antro de intolerância e de "pensamento único" (num claro trocadilho com o Bilhete Único). Ofensas pessoais incluíam até mesmo o estado civil de busólogos, com humilhações violentas contra pessoas solteiras.
Dois principais suspeitos teriam promovido as trolagens, segundo denúncias de vários busólogos, que não quiseram revelar seus nomes. Um estava a serviço de uma prefeitura da Baixada Fluminense e chegou a criar um blogue de ofensas, intitulado "Comentários Críticos" - desativado após denúncias ao SaferNet, portal ligado a receber denúncias de crimes - , para humilhar busólogos diversos.
Outro, mais jovem, tornou-se mais tarde um colaborador de um grupo de busólogos. O rapaz costumava mandar mensagens usando pseudônimos diversos, inclusive de gente famosa, sempre com comentários "picantes" e "jocosos", sempre explorando o estereótipo de um "tarado gay".
Os dois foram denunciados pelos próprios amigos e a busologia do Rio de Janeiro sofreu uma crise, que fez com que a então ascendente prática fosse mais uma vez vítima de discriminação (era comum alguém que gostasse de ônibus fosse visto como estranho). Só que os busólogos do Rio de Janeiro passaram a sofrer discriminação por outro motivo: por estarem sempre brigando e xingando.
COMO SE DÁ A TROLAGEM
Geralmente, uma trolagem costuma surgir de repente, através de uma série de mensagens ofensivas que são publicadas quase ao mesmo tempo, num horário combinado com antecedência por um líder e seus amigos, não necessariamente cúmplices nestas práticas de humilhação.
O espaço varia, podendo ser uma página de recados da vítima, uma postagem ou um outro fórum na Internet. Os busólogos envolvidos recorreram a um abaixo-assinado contra a pintura padronizada nos ônibus cariocas.
A trolagem segue o mesmo caminho. Num primeiro momento, comentários irônicos são publicados, aparentemente sem agredir a vítima. Observa-se as gozações sutis e alguns lamentos sobre o ponto de vista da vítima.
Depois, quando a vítima percebe os comentários, independente de reação ou não - como, por exemplo, um simples ato de apagar tais mensagens - , o envio de mensagens continua massivo e começam a surgir as primeiras ofensas abertas.
Num terceiro momento, as mensagens partem para ofensas ainda mais violentas e ameaças. O líder da trolagem geralmente decide criar um blogue de ofensas, se utilizando indevidamente do conteúdo pessoal da vítima, reproduzido de forma pejorativa. Em casos extremos, o agressor passa a rondar a cidade onde vive a vítima, para intimidar.
Em 2015, casos de trolagem envolvendo famosos vieram à tona, chamando a atenção da opinião pública sobre a prática abusiva de humilhações na Internet. Pessoas que defendiam ideias e projetos retrógrados, só porque estavam na moda ou parecem novidade, além dos que despejaram comentários racistas e homofóbicos, passaram a chamar a atenção da Justiça e das autoridades policiais.
Daí que a prisão dos cinco suspeitos ligados aos ataques raciais contra famosas negras foi um precedente para condenar a trolagem na Internet, fazendo com que certos valentões pensem duas vezes antes de agredir alguém que não concorda com as convicções pessoais dos agressores.
domingo, 6 de março de 2016
NOVA IGUAÇU IMPÕE PINTURA PADRONIZADA JÁ ATROPELANDO A LEI
"Melhor identificação, maior agilidade, mais transparência, mais rigor na fiscalização". A demagogia adotada pela Prefeitura de Nova Iguaçu para impor o fardamento dos ônibus para o próximo dia 14 repete o mesmo discurso que Eduardo Paes havia dado em 2010, quando empurrou a medida para os ônibus cariocas, com todas as promessas que a prefeitura iguaçuana faz hoje.
Diferentes empresas de ônibus com linhas municipais terão que apresentar duas cores, atribuídas a dois consórcios e usando como desculpa as cores da cidade: Reserva do Tinguá e Serra do Vulcão (?!), ambas enfatizando o logotipo da Prefeitura de Nova Iguaçu.
O discurso "racional" da secretaria de Transporte, Trânsito e Mobilidade Urbana já investe em duas mentiras: uma é de que a pintura padronizada "facilitará" a identificação pelos passageiros, o que não procede, porque diferentes empresas de ônibus exibindo a mesma pintura sempre traz confusão, na correria do dia a dia (as autoridades não conseguem entender o corre-corre dos cidadãos).
PREFEITURA DE NOVA IGUAÇU JÁ COMETE ILEGALIDADES
Outra mentira é de que a pintura padronizada é exigência da licitação, a não ser que seja a "licitação" feita pelos umbigos das autoridades de Nova Iguaçu. A Lei de Licitações (Lei 8.666, de 21 de junho de 1993) NUNCA determinou a padronização visual como norma inerente à natureza de cada serviço.
Pelo contrário: a Lei de Licitações, no artigo 12, inciso II, descreve o seguinte texto, que estabelece condições que em NENHUM MOMENTO se observa na pintura padronizada dos ônibus. Vejamos:
Art. 12. Nos projetos básicos e projetos executivos de obras e serviços serão considerados principalmente os seguintes requisitos:
II - Funcionalidade e adequação ao interesse público
Pintura padronizada não traz funcionalidade. Colocar diferentes empresas de ônibus sob a mesma pintura não é funcional, porque confunde os passageiros, não traz transparência, e, portanto, é tecnicamente inviável esconder empresas de ônibus diante de visuais de "consórcios", "zonas" ou "tipos de ônibus" que as autoridades impõem em várias partes do país.
Demagogicamente, as autoridades tentam vender como "adequação ao interesse público" a implantação de ar condicionado, a construção de pistas exclusivas - que em muitos casos só serve à corrupção de empreiteiras e, não raro, destroi áreas ambientais, moradias populares e patrimônios históricos - e compra de ônibus alongados.
Isso é o mesmo que dizer que uma prefeitura realizou um projeto educacional pelo simples fato de reforçar a merenda escolar da criançada e, ainda por cima, com cachorro quente e hambúrguer como opções de lanche.
Dar "presentes" ou desviar do foco das necessidades pessoais não é adequar ao interesse público. Além disso, a pintura padronizada, com esses "presentinhos" - o do município do RJ foi o do hoje desastrado BRT - , burla outra lei, o Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078, de 11 de setembro de 1990, que diz claramente em seu artigo 39, inciso IV:
Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas: (Redação dada pela Lei nº 8.884, de 11.6.1994)
IV - prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista sua idade, saúde, conhecimento ou condição social, para impingir-lhe seus produtos ou serviços;
O fato de informar aos passageiros, através de panfletos ou propagandas, sobre a pintura padronizada, não significa que esteja evitando essa prática abusiva, até porque a Prefeitura impõe uma medida contrária ao interesse público e apenas tenta "justificar" a medida e forçar a aceitação popular (que é o abuso descrito no referido inciso) através de "promessas de melhorias, agilidade e transparência".
Em outras palavras, a Prefeitura tenta dar "argumentos técnicos" e também dar "presentinhos" - ônibus novos e, em muitos casos, com configuração mais avançada (ar condicionado, chassis sueco, comprimento alongado) - para forçar o apoio popular a uma medida que nada tem de benéfica ao interesse público, já que esconder empresas de ônibus sob uma pintura única é sempre prejudicial.
Outra ilegalidade é que o secretário de Transportes, Trânsito e Mobilidade Urbana de Nova Iguaçu defende o "novo sistema" como uma "concessão". Neste sentido, ele entra em choque violento com o que determina o artigo 11 da mesma Lei 8.666:
Art. 11. As obras e serviços destinados aos mesmos fins terão projetos padronizados por tipos, categorias ou classes, exceto quando o projeto-padrão não atender às condições peculiares do local ou às exigências específicas do empreendimento.
Ele leu o artigo às pressas e só viu as palavras "padronizado" e "projeto-padrão" e ignorou que o artigo estabelece as condições de que a medida não deve ser implantada se ele não atende às exigências específicas do entretenimento.
ANALISANDO JURIDICAMENTE
Se um sistema municipal de transporte coletivo é uma concessão pública para serviços de empresas particulares, não há como a Prefeitura impor um vínculo de imagem. Isso é ilegal. Na concessão, o poder público concede as linhas, as empresas particulares é que devem ter o direito de imagem, de ter cada uma a sua respectiva identidade visual.
Se o poder público impõe pintura padronizada (que é a imagem do poder municipal ou estadual através de consórcios previamente concebidos pelo poder político), ele deixa a concessão pela metade. Ele concede o serviço de ônibus pela metade, porque fica com a "imagem".
O vínculo de imagem desfaz metade do sentido da concessão praticada pelo poder público, ela perde o sentido porque a Prefeitura ou, em outros casos, o Governo do Estado, querem manter um vínculo de imagem nas frotas de ônibus que operam num serviço.
Portanto, o sentido do artigo 11 da Lei de Licitações é completamente perdido e a Prefeitura de Nova Iguaçu mente ao dizer que a pintura padronizada é uma exigência desta lei, a não ser se o município criou uma "lei de licitações à moda da casa".
SECRETÁRIO DE TRANSPORTES DE NOVA IGUAÇU ENTRA EM CONTRADIÇÃO
Além disso, o secretário se contradiz quando, ao dizer que vai divulgar em panfletos as mudanças adotadas, que a questão não é a pintura padronizada, mas a qualidade de serviço. Aí ele deu um tiro no pé, porque deixou vazar que a pintura padronizada poderia não ter sido usada nas mudanças.
Afinal, há uma grande confusão administrativa dos modelos de transporte coletivo adotados em cidades como Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, São João da Barra, Araruama, Cabo Frio, Volta Redonda, Barra Mansa, Campos, Nova Iguaçu e outras, só para citar o território fluminense.
Nesta confusão, as autoridades não conseguem definir se o sistema é uma intervenção estatal, uma parceria público-privada, ou mantém as velhas relações entre Estado e iniciativa privada no transporte coletivo. Dependendo do discurso, as autoridades dizem uma coisa, dizem outra ou recorrem à terceira ideia.
Além disso, as próprias atribuições do secretário de Transportes, transformados em um "super-xerife", com poderes concentrados que revelam mais autoritarismo e menos responsabilidade consigo mesmo, são bastante confusas.
Em vez de ser um fiscalizador, o secretário de Transportes vira dublê de empresário de ônibus. E, agindo com mãos-de-ferro, confunde as atribuições de alguém que apenas fiscaliza e aplica as determinações da lei com as de alguém que manda e impõe medidas, em muitas vezes por convicções pessoais. É como se, na administração de um condomínio, se confundisse a função de um vigilante com a de um síndico.
Atualmente, o sistema de ônibus do município do Rio de Janeiro revelou sua tragédia. São seis anos num pesadelo que inclui ônibus padronizados, dupla função de motorista-cobrador e esquartejamento e desativação de percursos. É o que esperará em breve a população de Nova Iguaçu.
É uma tragédia representada por muitos mortos em acidentes, pessoas assaltadas à espera de ônibus, cobradores demitidos com muitas contas a pagar e famílias a sustentar e pessoas pegando ônibus errado devido à pintura padronizada. Será que temos que viver eternamente essa tragédia, enquanto temos que acreditar na conversa mole das autoridades tecnocráticas?
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
MÍDIA TEM QUE REPENSAR PROPAGANDA DE AUTOMÓVEIS PARA INFLUIR NA MELHORIA DO TRÂNSITO
Esse texto deveria ser lido por um maior número de pessoas. Afinal, ele se refere a um dos principais problemas no trânsito das grandes cidades, que é o uso desnecessário de automóveis. Eles ocorrem por influência da mídia, principalmente pela sobreposição de comerciais de automóveis na televisão - chegam a haver uma média de três por cada intervalo de programa - e pela imagem de status que é trabalhada em torno destes veículos.
Isso deveria acabar. Para haver melhor fluidez no trânsito, é necessário repensar a própria propaganda de automóveis, diminuindo as campanhas de veículos nos intervalos - o ideal é ter apenas um comercial de automóvel por cada intervalo - e evitar divulgar o automóvel como instrumento de ascensão social das pessoas.
Deveria, além disso, restringir as propagandas de automóveis principalmente nas manhãs e tardes, para evitar influenciar o público juvenil, mais vulnerável a campanhas publicitárias, tornando os comerciais mais raros no horário das 5h às 19h, com uma média de um comercial de automóvel (inclui o de peças relacionadas ou de combustíveis) para cada três intervalos de programa de TV.
Nas noites, deveria haver apenas um comercial por intervalo, e talvez mais um de produtos relacionados (bateria, combustível, pneus). Além disso, deveria proibir a associação do automóvel a ideia de ascensão social, ou mesmo de rapidez, porque, com tantos congestionamentos, isso é bem difícil.
Outras medidas para restrição de uso de automóveis pode ser a de pais de família que moram em áreas relativamente próximas às escolas irem a pé para levar e trazer seus filhos. Ou os condomínios também deveriam restringir a saída de automóveis no horário da manhã, criando um mecanismo eletrônico de bloqueio de portões.
Os moradores deveriam também combinar caronas para que, assim, grupos de cinco ou seis pessoas (no caso de haver criança) deixem de usar seus carros pessoais e tire, de cada grupo de cinco automóveis, quatro das ruas.
Na vida noturna, deveria haver também a combinação de que o caronista que leve alguém na volta, se preciso, prolongue seu percurso para deixá-lo em um lugar mais próximo possível de casa ou do transporte para casa. Se isso gasta mais combustível, o fato do caronista não usar o automóvel em outras ocasiões pode compensar.
No mercado de trabalho, deveria haver uma flexibilização do horário, fazendo com que se encerre a exclusividade do limite de 8h às 18h, podendo criar faixas de horário de 6h às 16h, 7 às 17h, 9 às 19h, ou mesmo de 5h às 15h e 10 às 20h, para distribuir melhor o trânsito de automóveis nas idas e voltas ao trabalho.
COMO NOS ANÚNCIOS DE CERVEJA E SUPERMERCADOS - Outra sugestão boa para desestimular o uso de automóveis é colocar um aviso, semelhante ao de comerciais de cerveja e supermercados, no final de cada campanha publicitária.
Desta forma, um comercial de automóvel - que deveria ser restringido, quando muito, a um único comercial por cada intervalo, evitando sobreposição de campanhas - poderia se encerrar com um aviso padrão: "Use automóvel somente quando necessário. Evite congestionamentos". Simples assim.
A Secretaria Municipal de Transportes do Rio de Janeiro (SMTR) anuncia que 700 ônibus sairão das ruas este ano. Isso é grave, e exige da sociedade pensar para evitar que essa retirada reflita no aumento de 50 mil automóveis que se dará com a medida. E que podem ser bem mais do que isso, graças a imagem publicitária do automóvel como "moeda" de ascensão social. Convém repensar toda a publicidade em torno dos carros, para não parar as cidades.
domingo, 14 de fevereiro de 2016
ENQUANTO PASSAGEM É CARA E BILHETE ÚNICO SE ESGOTA, SECRETÁRIO PICCIANI ACUMULA FORTUNA
O secretário que fala em "otimizar" o sistema de ônibus do município do Rio de Janeiro reduzindo itinerários de linhas e tirando ônibus de circulação - o que refletirá em mais gente fazendo baldeação e mais automóveis circulando nas ruas - é um dos jovens mais ricos do Estado do Rio de Janeiro, conforme apontam vários dados divulgados.
Uma reportagem do jornal O Estado de São Paulo de 10 de janeiro de 2016 mostrou a fortuna dos Picciani, donos de grandes propriedades de terra no território fluminense, Em 2014, a família Picciani - o patriarca, Jorge Picciani, e seus filhos, o primogênito Leonardo, o do meio, Rafael e o até pouco tempo caçula, Felipe, administrador do clã - declararam uma fortuna de quase 27,5 milhões. Em 2011, os três ganharam outro irmão, Arthur.
A reportagem se concentrou nas fortunas de Jorge, Leonardo e Rafael. Presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Jorge Picciani, também presidente do PMDB carioca, apenas reduziu levemente a declaração de R$ 11,3 milhões em 2010 para R$ 10,4 milhões, mas mesmo assim sua fortuna cresceu muito desde quando declarava apenas ter R$ 763 mil em 2002.
Líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Leonardo Picciani, tinha uma declaração de renda inicial de R$ 979 mil em 2002, e sua fortuna cresceu para R$ 1,3 milhão em 2010 e, daí para 2014, para cerca de 5,5 vezes, resultando em R$ 7,2 milhões.
Rafael, por sua vez, declarou em 2010 uma fortuna de R$ 2 milhões (em 2009 correspondia a R$ 1,9 milhões). Em dois anos, a fortuna quadruplicou, virando quase R$ 8 milhões. Em 2014, ela aumentou para R$ 9,8 milhões, o que significa um valor aproximadamente cinco vezes em relação ao que ele tinha cinco anos antes.
EM DOIS ANOS, RAFAEL PICCIANI MULTIPLICOU EM QUATRO SUA FORTUNA.
Já Leonardo Picciani, que chegou a perder o cargo de líder do PMDB na Câmara Federal, teve que aumentar a verba de campanha de R$ 1,9 milhão para quase o dobro, R$ 3,5 milhões. Rafael, que é deputado estadual licenciado, manteve a mesma verba de campanha, R$ 1,6 milhão.
Com uma fortuna dessas, é vergonhoso que passageiros de ônibus do Rio de Janeiro sejam obrigados a pagar pela baldeação, devido ao curto horário do Bilhete Único, perdendo também tempo de deslocamento de terminais e enfrentando desconforto de ficar em pé nos ônibus, sendo a tarifa de R$ 3,80 já muito cara para os bolsos dos cidadãos.
Em vinte dias, ir e vir de ônibus, só usando a tarifa de um ônibus, já corresponde a R$ 1.520, fora as passagens extras que tem que pegar com o esgotamento do Bilhete Único, que já não é o primor de eficácia. E isso com um salário mínimo de R$ 880. O que a fortuna de Rafael Picciani poderia servir de indenização para os cariocas lesados...
domingo, 24 de janeiro de 2016
EXPERIÊNCIA MOSTRA QUE JAIME LERNER ESTÁ ERRADO
Tirar ônibus de circulação nas ruas é solução? Por incrível que pareça, o maior problema enfrentado por passageiros de ônibus nas grandes cidades, o de esperar muito tempo pela chegada de um ônibus, é considerado uma "virtude" pelos tecnocratas do transporte, que falam sempre que a redução de frotas de ônibus em circulação contribui para a melhor fludez do trânsito.
A realidade mostra que essa tese, difundida em palestras sobre transporte, urbanismo e mobilidade urbana no Brasil e no mundo e que garante uma reputação quase divina de tecnocratas como o arquiteto Jaime Lerner - que poucos esquecem ter sido um político da ditadura militar e um equivalente, no assunto Transporte e Urbanismo, ao que Roberto Campos foi na Economia - , está completamente errada.
O jornal Folha de São Paulo, com todos os senões ideológicos que expressa, a ponto de contratar um ativista medíocre como Kim Kataguiri (que no primeiro artigo chamou os manifestantes do Movimento Passe Livre de "baderneiros"), realizou uma experiência muito interessante, fechando um trecho da Av. Pacaembu, na cidade de São Paulo, para testar a mobilidade urbana.
48 figurantes foram chamados para um teste. Eles se posicionaram sobre cadeiras, simulando estarem posicionadas nos carros que transitam pela avenida, depois foram agrupadas num espaço correspondente ao de assentos nos ônibus ou metrô e, depois, simulando estarem em bicicletas.
Quanto à comparação entre ônibus e automóvel, constatou-se que os automóveis, que transportam uma média de 1,2 pessoa por veículo, ocupam 17 vezes o espaço que deveria ser para um único ônibus, atingindo uma dimensão de 840 m².
No que se refere à analise do sistema de ônibus, o teste derruba a tese tão celebrada nos meios tecnocráticos e divulgada pela mídia especializada em Transportes de que, com menos ônibus nas ruas, haverá maior fluência no trânsito.
Com um excedente de comerciais de automóveis na televisão e uma tradição ideológica do carro como símbolo de status e emancipação social, mesmo as reais vantagens desse transporte são deturpadas pelo luxo que a televisão mostra e que faz pessoas tirarem seus carros das garagens até de maneira supérflua, como para ir a um mercado da esquina.
Com essa verdadeira sobreposição de comerciais de automóveis - num único intervalo de programa, um módulo de cinco minutos mostra até quatro comerciais envolvendo marcas de automóveis, baterias para carros e combustíveis - , um grande contingente de automóveis que circulam sem necessidade faz com que haja os conhecidos engarrafamentos nas cidades.
Esse quadro não é imaginado por maquetes, computações gráficas nem pela realidade virtual. Daí que os tecnocratas que julgam maravilhoso ver menos ônibus nas ruas, mesmo com sua altíssima demanda de passageiros, estão completamente errados.
Suas concepções técnicas se chocam com a realidade dos passageiros, o que cria um verdadeiro conflito entre a visão técnica e a vivência social. A vida dura do povo nas ruas simplesmente atropelou toda a fantasia trazida pelas utopias técnicas dos engenheiros da mobilidade urbana. Jaime Lerner, portanto, está errado.
domingo, 17 de janeiro de 2016
FARRA DOS LOGOTIPOS DE GOVERNOS NÃO TRAZ RESPOSTA PARA PROBLEMAS NOS ÔNIBUS DO PAÍS
PEQUENOS LOGOTIPOS DE EMPRESAS SÃO INSUFICIENTES PARA RESOLVER A CONFUSÃO DAS PINTURAS PADRONIZADAS E DOS LOGOTIPOS DE GOVERNOS.
A farra dos logotipos políticos, de prefeituras, governos estaduais, secretarias, paraestatais, sistemas de mobilidade urbana, consórcios etc, simbolizada nas pinturas padronizadas nos ônibus em diversas cidades e regiões do país, é um fator que poucos reconhecem como influente na decadência dos sistemas de ônibus em várias partes do país.
A medida da pintura padronizada, iniciada por cidades como Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte e "popularizada" pelo Rio de Janeiro - as aspas indicam que essa popularização nunca passou de conversa mole de políticos influentes, mas corruptos - , está decaindo em todo o país, mas alguns governantes tentam relançar a medida mudando regras de "licitação" e criando novas estampas.
As autoridades não querem "largar o osso" e tentam manter seus logotipos apegados às frotas de ônibus, ignorando que colocar diferentes empresas de ônibus sob a camisa-de-força de uma "pintura única" é uma medida própria da ditadura militar que, nos tempos atuais, não mais faz sentido para os dias de hoje.
Isso reflete a mentalidade retrógrada que temos na política, nas secretarias de Transportes em todo o país. Enquanto a sociedade pede para que empresas de ônibus sejam reconhecidas pela identidade visual, independente do serviço, da área ou zona ou do tipo de ônibus que usam, garantindo transparência e permitindo ao passageiro identificar até a empresa que presta mal um serviço, os governantes insistem em impor suas imagens para as frotas de ônibus.
As relações confusas que a pintura padronizada traz nos sistemas de ônibus, em que a intervenção estatal é dissimulada pelo "respeito" às empresas particulares beneficiadas pela concessão de serviço, o que permite aos políticos usarem de todo tipo de desculpa para empurrar a medida para a população, só transformam os sistemas de ônibus no caos em que se encontram.
Os problemas que antes haviam nos sistemas de ônibus não conseguiram ser resolvidos, e se agravaram nos últimos anos. Segundo pesquisas em reportagens sobre acidentes e outros acontecimentos graves envolvendo ônibus, observa-se a decadência maior em cidades que adotam pintura padronizada nos ônibus.
PINTURA PADRONIZADA INFLUI, MESMO INDIRETAMENTE, ATÉ EM FRAUDE ELEITORAL
As empresas, não podendo exibir suas identidades visuais, decaem o serviço. Afinal, a imagem é imposta pela respectiva prefeitura ou órgão estatal, o que faz os ônibus circularem não com as imagens das respectivas empresas, mas com as imagens dos governos, municipais ou estaduais.
Isso cria uma crise de representatividade e de responsabilidade, o que faz com que a corrupção no sistema de transporte se agrave e as irregularidades se tornem cada vez mais graves. Se o sistema de ônibus é ruim com a diversidade visual, em que cada empresa tem seu visual próprio, ele fica pior com a pintura padronizada.
Em muitos casos, o sistema de ônibus se "partidariza" e, se as empresas de ônibus não mostram suas identidades visuais, por outro lado, pela associação que têm com consórcios e outros critérios impostos pelos governantes, seus empresários acabam manipulando o jogo eleitoral, criando um "voto de cabresto" eletrônico sob o pretexto da "mobilidade urbana".
DEFEITO GRAVE VISTO COMO "QUALIDADE POSITIVA"
Outro aspecto que chama a atenção é que as autoridades investem numa medida que causa muita revolta nos passageiros, mas que é tida como "positiva" por tecnocratas e governantes, a partir do próprio Jaime Lerner, arquiteto curitibano que havia sido político na ditadura militar.
A redução de frotas de ônibus em circulação nas ruas é vista por tecnocratas como forma de "racionalizar" o sistema, acreditando que bastam haver corredores exclusivos para resolver o problema, ignorando que há o problema do excesso de automóveis nas ruas das cidades.
Por outro lado, a redução de percursos de linhas para forçar o uso de bilhetes eletrônicos - que têm o nome pomposo de Bilhete Único - também se torna uma medida oposta aos propósitos da mobilidade urbana, na medida em que representam mais perda de tempo no deslocamento das pessoas de casa para o trabalho e vice-versa, devido à obrigação de ter que pegar mais um ônibus, o que também traz desconforto e outros incômodos.
Quanto à redução de frotas de ônibus nas ruas, isso é motivo de uma das tradicionais reclamações dos passageiros, que são os longos tempos de espera pela chegada do ônibus desejado, alvo de intensas e indignadas queixas de cidadãos irritados, que sabem muito bem que a medida defendida por tecnocratas não tem a positividade que estes só conseguem garantir na computação gráfica e em jogos eletrônicos (diz a lenda que os tecnocratas do transporte público jogam muito GTA e TheSims).
POLUIÇÃO VISUAL
A pintura padronizada comprovadamente mostrou que, do contrário das declarações demagógicas do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, mais favorece do que combate a poluição visual. Isso se comprova em muitos aspectos, e não apenas os aspectos de "sujos" que, em cidades como o Rio de Janeiro e Curitiba (isso mesmo) os ônibus acabam parecendo através da "pintura única".
Em muitas cidades, exibe-se o logotipo da prefeitura ou governo estadual, do consórcio, do sistema específico (tipo SIM ou SEI), da paraestatal que controla o sistema, do tipo de ônibus ou operação (como "piso baixo" e "interbairros", que, junto com a "sopa de letrinhas" do código numérico, deixam os passageiros tontos de tão confusos.
É muita poluição visual, que contraria a sobriedade garantida pela diversidade visual em que a empresa de ônibus podia exibir seu visual próprio e bastava apresentar o nome e o número do carro, garantindo maior transparência e comodidade para os passageiros, que, no caso de empresas de ônibus incompetentes, o reconhecimento era facilitado, por ser imediato e direto.
MAIS BUROCRACIA E CUSTOS
O que também chama a atenção é que a pintura padronizada nos ônibus é fator de maior burocratização e mais custos para os sistemas de ônibus. Só para uma empresa deslocar um veículo semi-novo de uma linha intermunicipal para a municipal, a situação ficou mais difícil.
Um caso ilustrativo é notado na Viação Pendotiba, de Niterói. Ela costuma transferir carros que circulam em suas linhas intermunicipais - 770D Itaipu / Candelária e 771D Rio do Ouro / Candelária - para linhas municipais, o que antes era um processo simplificado.
Um veículo da Marcopolo Torino 2007, número RJ 211.015, pôde ser facilmente deslocado para a frota municipal, virando NIT.02-284. Bastava a documentação interna da empresa, uma parcial repintura nas partes onde se apresentava o número do carro, e em poucos dias ele voltava a circular com o novo número e o novo serviço.
Hoje não acontece mais isso. Os ônibus levam mais tempo para o deslocamento. Tem a burocracia com a Prefeitura de Niterói, por causa do consórcio, a documentação leva mais tempo. A pintura terá que ser total, porque tem que adotar as cores do serviço municipal, e isso traz mais burocracia, mais custo, mais demora para a liberação dos carros.
É por isso que os recentes aumentos das passagens neste mês tiveram um "sabor especial". São os custos de um sistema marcado pela intervenção política das secretarias de Transportes e pela pintura padronizada. Revelam um padrão de sistema de ônibus caro, burocrático e "partidarizado", que agrava os defeitos já existentes antes, quando havia diversidade visual nas empresas.
Combater a pintura padronizada deveria ser uma das maiores pautas do Movimento Passe Livre, porque ela é fator direto ou indireto para a manutenção, criação ou agravamento de muitos dos problemas nos sistemas de ônibus das cidades, e serve de "carro-chefe" para outras arbitrariedades que os tecnocratas do Transporte empurram para a população.
A farra dos logotipos de governos (prefeituras ou governos estaduais) não tem condições de oferecer respostas ou satisfações para o interesse público. Afinal, o sistema de ônibus opera em regime de concessão.
Se os políticos concedem as linhas para empresas particulares mas impõem as imagens que eles decidem, então a concessão é feita pela metade, o que transforma o sistema de ônibus sob pintura padronizada num modelo confuso que só traz problemas, deixando o serviço mais caro, mais problemático e muito mais burocratizado. O passageiro sempre perde com os ônibus "padronizados".
A farra dos logotipos políticos, de prefeituras, governos estaduais, secretarias, paraestatais, sistemas de mobilidade urbana, consórcios etc, simbolizada nas pinturas padronizadas nos ônibus em diversas cidades e regiões do país, é um fator que poucos reconhecem como influente na decadência dos sistemas de ônibus em várias partes do país.
A medida da pintura padronizada, iniciada por cidades como Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte e "popularizada" pelo Rio de Janeiro - as aspas indicam que essa popularização nunca passou de conversa mole de políticos influentes, mas corruptos - , está decaindo em todo o país, mas alguns governantes tentam relançar a medida mudando regras de "licitação" e criando novas estampas.
As autoridades não querem "largar o osso" e tentam manter seus logotipos apegados às frotas de ônibus, ignorando que colocar diferentes empresas de ônibus sob a camisa-de-força de uma "pintura única" é uma medida própria da ditadura militar que, nos tempos atuais, não mais faz sentido para os dias de hoje.
Isso reflete a mentalidade retrógrada que temos na política, nas secretarias de Transportes em todo o país. Enquanto a sociedade pede para que empresas de ônibus sejam reconhecidas pela identidade visual, independente do serviço, da área ou zona ou do tipo de ônibus que usam, garantindo transparência e permitindo ao passageiro identificar até a empresa que presta mal um serviço, os governantes insistem em impor suas imagens para as frotas de ônibus.
As relações confusas que a pintura padronizada traz nos sistemas de ônibus, em que a intervenção estatal é dissimulada pelo "respeito" às empresas particulares beneficiadas pela concessão de serviço, o que permite aos políticos usarem de todo tipo de desculpa para empurrar a medida para a população, só transformam os sistemas de ônibus no caos em que se encontram.
Os problemas que antes haviam nos sistemas de ônibus não conseguiram ser resolvidos, e se agravaram nos últimos anos. Segundo pesquisas em reportagens sobre acidentes e outros acontecimentos graves envolvendo ônibus, observa-se a decadência maior em cidades que adotam pintura padronizada nos ônibus.
PINTURA PADRONIZADA INFLUI, MESMO INDIRETAMENTE, ATÉ EM FRAUDE ELEITORAL
As empresas, não podendo exibir suas identidades visuais, decaem o serviço. Afinal, a imagem é imposta pela respectiva prefeitura ou órgão estatal, o que faz os ônibus circularem não com as imagens das respectivas empresas, mas com as imagens dos governos, municipais ou estaduais.
Isso cria uma crise de representatividade e de responsabilidade, o que faz com que a corrupção no sistema de transporte se agrave e as irregularidades se tornem cada vez mais graves. Se o sistema de ônibus é ruim com a diversidade visual, em que cada empresa tem seu visual próprio, ele fica pior com a pintura padronizada.
Em muitos casos, o sistema de ônibus se "partidariza" e, se as empresas de ônibus não mostram suas identidades visuais, por outro lado, pela associação que têm com consórcios e outros critérios impostos pelos governantes, seus empresários acabam manipulando o jogo eleitoral, criando um "voto de cabresto" eletrônico sob o pretexto da "mobilidade urbana".
DEFEITO GRAVE VISTO COMO "QUALIDADE POSITIVA"
Outro aspecto que chama a atenção é que as autoridades investem numa medida que causa muita revolta nos passageiros, mas que é tida como "positiva" por tecnocratas e governantes, a partir do próprio Jaime Lerner, arquiteto curitibano que havia sido político na ditadura militar.
A redução de frotas de ônibus em circulação nas ruas é vista por tecnocratas como forma de "racionalizar" o sistema, acreditando que bastam haver corredores exclusivos para resolver o problema, ignorando que há o problema do excesso de automóveis nas ruas das cidades.
Por outro lado, a redução de percursos de linhas para forçar o uso de bilhetes eletrônicos - que têm o nome pomposo de Bilhete Único - também se torna uma medida oposta aos propósitos da mobilidade urbana, na medida em que representam mais perda de tempo no deslocamento das pessoas de casa para o trabalho e vice-versa, devido à obrigação de ter que pegar mais um ônibus, o que também traz desconforto e outros incômodos.
Quanto à redução de frotas de ônibus nas ruas, isso é motivo de uma das tradicionais reclamações dos passageiros, que são os longos tempos de espera pela chegada do ônibus desejado, alvo de intensas e indignadas queixas de cidadãos irritados, que sabem muito bem que a medida defendida por tecnocratas não tem a positividade que estes só conseguem garantir na computação gráfica e em jogos eletrônicos (diz a lenda que os tecnocratas do transporte público jogam muito GTA e TheSims).
POLUIÇÃO VISUAL
A pintura padronizada comprovadamente mostrou que, do contrário das declarações demagógicas do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, mais favorece do que combate a poluição visual. Isso se comprova em muitos aspectos, e não apenas os aspectos de "sujos" que, em cidades como o Rio de Janeiro e Curitiba (isso mesmo) os ônibus acabam parecendo através da "pintura única".
Em muitas cidades, exibe-se o logotipo da prefeitura ou governo estadual, do consórcio, do sistema específico (tipo SIM ou SEI), da paraestatal que controla o sistema, do tipo de ônibus ou operação (como "piso baixo" e "interbairros", que, junto com a "sopa de letrinhas" do código numérico, deixam os passageiros tontos de tão confusos.
É muita poluição visual, que contraria a sobriedade garantida pela diversidade visual em que a empresa de ônibus podia exibir seu visual próprio e bastava apresentar o nome e o número do carro, garantindo maior transparência e comodidade para os passageiros, que, no caso de empresas de ônibus incompetentes, o reconhecimento era facilitado, por ser imediato e direto.
MAIS BUROCRACIA E CUSTOS
O que também chama a atenção é que a pintura padronizada nos ônibus é fator de maior burocratização e mais custos para os sistemas de ônibus. Só para uma empresa deslocar um veículo semi-novo de uma linha intermunicipal para a municipal, a situação ficou mais difícil.
Um caso ilustrativo é notado na Viação Pendotiba, de Niterói. Ela costuma transferir carros que circulam em suas linhas intermunicipais - 770D Itaipu / Candelária e 771D Rio do Ouro / Candelária - para linhas municipais, o que antes era um processo simplificado.
Um veículo da Marcopolo Torino 2007, número RJ 211.015, pôde ser facilmente deslocado para a frota municipal, virando NIT.02-284. Bastava a documentação interna da empresa, uma parcial repintura nas partes onde se apresentava o número do carro, e em poucos dias ele voltava a circular com o novo número e o novo serviço.
Hoje não acontece mais isso. Os ônibus levam mais tempo para o deslocamento. Tem a burocracia com a Prefeitura de Niterói, por causa do consórcio, a documentação leva mais tempo. A pintura terá que ser total, porque tem que adotar as cores do serviço municipal, e isso traz mais burocracia, mais custo, mais demora para a liberação dos carros.
É por isso que os recentes aumentos das passagens neste mês tiveram um "sabor especial". São os custos de um sistema marcado pela intervenção política das secretarias de Transportes e pela pintura padronizada. Revelam um padrão de sistema de ônibus caro, burocrático e "partidarizado", que agrava os defeitos já existentes antes, quando havia diversidade visual nas empresas.
Combater a pintura padronizada deveria ser uma das maiores pautas do Movimento Passe Livre, porque ela é fator direto ou indireto para a manutenção, criação ou agravamento de muitos dos problemas nos sistemas de ônibus das cidades, e serve de "carro-chefe" para outras arbitrariedades que os tecnocratas do Transporte empurram para a população.
A farra dos logotipos de governos (prefeituras ou governos estaduais) não tem condições de oferecer respostas ou satisfações para o interesse público. Afinal, o sistema de ônibus opera em regime de concessão.
Se os políticos concedem as linhas para empresas particulares mas impõem as imagens que eles decidem, então a concessão é feita pela metade, o que transforma o sistema de ônibus sob pintura padronizada num modelo confuso que só traz problemas, deixando o serviço mais caro, mais problemático e muito mais burocratizado. O passageiro sempre perde com os ônibus "padronizados".
sábado, 2 de janeiro de 2016
EM CRISE, SISTEMA DE ÔNIBUS DO RJ TEM TARIFA MAIS CARA
Vivendo sua mais aguda crise, o sistema de ônibus do Rio de Janeiro, com suas frotas sucateadas em praticamente todas as empresas e com um quadro de rodoviários demitidos preocupante, devido à dupla função do motorista-cobrador (que tirou o funcionário dos torniquetes), teve mais um aumento nas linhas municipais, passando de R$ 3,40 para R$ 3,80.
O aumento passou a valer também para linhas intermunicipais, em várias tarifas. A mais barata, de R$ 3,15, passou para R$ 3,50. O Bilhete Único que faz integração com as linhas cariocas municipais acompanhou o índice de aumento para as mesmas.
Com cinco anos de implantação, o sistema que é baseado em medidas antipopulares como pintura padronizada nas empresas de ônibus e dupla função de motorista-cobrador, sofre sua decadência pelas próprias caraterísticas. O modelo implantado em 2010 segue valores e paradigmas que só tinham valor durante a ditadura militar e num contexto social com menos automóveis e uma população brasileira menor que a atual.
A arbitrariedade com que foi imposto o modelo de sistema de ônibus revela também o caráter demagógico de Eduardo Paes e reflete o autoritarismo do PMDB carioca, que não se expressa somente pela ação do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, mas em todo o grupo político do prefeito carioca e do governador fluminense, Luiz Fernando Pezão.
Com isso, os passageiros de ônibus percebem a decadência do serviço e a queda de qualidade que empresas de ônibus que agora são proibidas de exibir sua identidade visual passaram a ter, até pela crise de representatividade, por ser um modelo confuso em que ninguém sabe ao certo se é o Estado que interviu nas empresas de ônibus ou se elas continuam operando de maneira "autônoma".
"APAGADAS", EMPRESAS DEIXAM DE RENOVAR FROTAS COM AGILIDADE
Um exemplo dessa decadência está em empresas como a Viação Acari, que, existente desde os anos 60, deixou de renovar sua frota com a agilidade que tinha quando podia mostrar sua identidade visual.
A Acari, atuante em linhas das regiões de Méier, Madureira, Centro e Copacabana, foi uma das primeiras a agilizar a renovação de frota, já no começo da década de 1980, quando vendia carros com cinco anos de fabricação. No final dos anos 1980, reduziu a vida útil para três.
Atualmente, porém, a Acari está prolongando demais a vida útil das frotas, até pelo fato de que é o Estado quem decide quando a empresa irá renovar a frota (o que faz prolongar a vida útil até quando os passageiros começarem a reclamar). Carros com ano de fabricação de 2009 ainda continuam circulando, mesmo em linhas para o Centro e para a Zona Sul.
Outras empresas históricas, como Transportes América, Auto Viação Alpha e Viação Madureira Candelária, já apresentam frota sucateada. Mesmo a antes exemplar Rodoviária Âncora Matias já mostra goteiras no ar condicionado de ônibus novos, o que indica falta de manutenção.
domingo, 13 de dezembro de 2015
DECADÊNCIA SE CONFIRMA NO SISTEMA DE ÔNIBUS DO RJ
ACIDENTE COM ÔNIBUS DA TRANSPORTES FUTURO DEIXA CINCO MORTOS E VÁRIOS FERIDOS.
O atual sistema de ônibus do Rio de Janeiro, implantado em 2010, "comemorou" seus cinco anos vivendo uma decadência vertiginosa, consequente do indigesto "combo" da pintura padronizada, da dupla função do motorista-cobrador e dos itinerários reduzidos (medida esta suspensa por processo movido pelo Ministério Público, mas que ainda ameaça voltar).
Com frotas de ônibus cada vez mais sucateadas, as empresas de ônibus, que não podem apresentar sua identidade visual para facilitar suas relações de serviço com o público consumidor, se desleixam ou aumentam sua corrupção, sobretudo quando empresas trocam de linhas ou mudam de nome.
Não há como dizer que essa decadência "sempre aconteceu", quando os defensores do atual sistema tentam argumentar, com sua pose de "donos da verdade". Até porque eles se confundem todos, entre dizer que o sistema "está ótimo e perfeito" num momento e, em outro, dizer que "ele conta com sérios problemas".
No último fim de semana, dois acidentes aconteceram nas ruas do Rio de Janeiro. Um, na manhã de sábado, com um ônibus da Viação Redentor que se chocou com um táxi e deixou vários feridos, na altura da Av. Rio Branco na esquina com a Av. Alm. Barroso, no Castelo.
Outro acidente, no entanto, teve resultados trágicos. Um ônibus da Transportes Futuro que percorria a Linha Amarela, com destino Rio Centro (linha 352), bateu em um muro de um túnel, na altura da Freguesia, região de Jacarepaguá, causando cinco mortes e vários feridos.
GOTEIRAS PINGAM NO AR CONDICIONADO DO CARRO B25511, DA MATIAS...
Isso sem falar dos muitos acidentes que acontecem nos BRTs e o fato de que vários desses ônibus já estão desgastados, havendo casos de veículos realmente sucateados. E quem imagina que o sucateamento dos ônibus é "privilégio" de algumas empresas como City Rio, Pégaso, Campo Grande e Paranapuan, está completamente enganado.
...UM MODELO SIMILAR AO DESTE, MARCOPOLO TORINO 2014, AINDA NOVO.
Empresas antes consideradas exemplares, como Matias, Braso Lisboa e Real, também estão com frotas sucateadas, com lataria não só amassada como dotadas de sérios arranhões. A Viação Verdun está toda sucateada, aos níveis da Expresso Pégaso, com veículos com muitos arranhões.
Ônibus da Matias do modelo Marcopolo Torino 2014 já apresentam péssimo estado de conservação, o que se observa na correria que os veículos fazem na linha 232 Lins / Castelo, que rodam sacolejando como se estivessem com os parafusos soltos.
Pior: num desses carros, de número B25511, notou-se que o ar condicionado estava sem manutenção, já que as goteiras pingavam, incomodando os passageiros. O mais grave é que esses veículos da Torino 2014 têm poucos meses de fabricação.
São essas decadências que se repetem, e não é porque são problemas do acaso. É porque o modelo adotado em 2010 é decadente, marcado pelo autoritarismo da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), que, em vez de ser apenas um órgão fiscalizador, é dotado de plenos poderes. um desvio de função que é comparável a de um porteiro de prédio se achando o síndico.
Caso continue esse modelo, originário da ditadura militar - foi implantado por Jaime Lerner em 1974 - , a crise no sistema de ônibus do Rio de Janeiro continuará, o que significa que não é possível resolvê-lo com medidas paliativas, já que o sistema é marcado por burocracia e um método opressivo de trabalho dos rodoviários.
O atual sistema de ônibus do Rio de Janeiro, implantado em 2010, "comemorou" seus cinco anos vivendo uma decadência vertiginosa, consequente do indigesto "combo" da pintura padronizada, da dupla função do motorista-cobrador e dos itinerários reduzidos (medida esta suspensa por processo movido pelo Ministério Público, mas que ainda ameaça voltar).
Com frotas de ônibus cada vez mais sucateadas, as empresas de ônibus, que não podem apresentar sua identidade visual para facilitar suas relações de serviço com o público consumidor, se desleixam ou aumentam sua corrupção, sobretudo quando empresas trocam de linhas ou mudam de nome.
Não há como dizer que essa decadência "sempre aconteceu", quando os defensores do atual sistema tentam argumentar, com sua pose de "donos da verdade". Até porque eles se confundem todos, entre dizer que o sistema "está ótimo e perfeito" num momento e, em outro, dizer que "ele conta com sérios problemas".
No último fim de semana, dois acidentes aconteceram nas ruas do Rio de Janeiro. Um, na manhã de sábado, com um ônibus da Viação Redentor que se chocou com um táxi e deixou vários feridos, na altura da Av. Rio Branco na esquina com a Av. Alm. Barroso, no Castelo.
Outro acidente, no entanto, teve resultados trágicos. Um ônibus da Transportes Futuro que percorria a Linha Amarela, com destino Rio Centro (linha 352), bateu em um muro de um túnel, na altura da Freguesia, região de Jacarepaguá, causando cinco mortes e vários feridos.
GOTEIRAS PINGAM NO AR CONDICIONADO DO CARRO B25511, DA MATIAS...
Isso sem falar dos muitos acidentes que acontecem nos BRTs e o fato de que vários desses ônibus já estão desgastados, havendo casos de veículos realmente sucateados. E quem imagina que o sucateamento dos ônibus é "privilégio" de algumas empresas como City Rio, Pégaso, Campo Grande e Paranapuan, está completamente enganado.
...UM MODELO SIMILAR AO DESTE, MARCOPOLO TORINO 2014, AINDA NOVO.
Empresas antes consideradas exemplares, como Matias, Braso Lisboa e Real, também estão com frotas sucateadas, com lataria não só amassada como dotadas de sérios arranhões. A Viação Verdun está toda sucateada, aos níveis da Expresso Pégaso, com veículos com muitos arranhões.
Ônibus da Matias do modelo Marcopolo Torino 2014 já apresentam péssimo estado de conservação, o que se observa na correria que os veículos fazem na linha 232 Lins / Castelo, que rodam sacolejando como se estivessem com os parafusos soltos.
Pior: num desses carros, de número B25511, notou-se que o ar condicionado estava sem manutenção, já que as goteiras pingavam, incomodando os passageiros. O mais grave é que esses veículos da Torino 2014 têm poucos meses de fabricação.
São essas decadências que se repetem, e não é porque são problemas do acaso. É porque o modelo adotado em 2010 é decadente, marcado pelo autoritarismo da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), que, em vez de ser apenas um órgão fiscalizador, é dotado de plenos poderes. um desvio de função que é comparável a de um porteiro de prédio se achando o síndico.
Caso continue esse modelo, originário da ditadura militar - foi implantado por Jaime Lerner em 1974 - , a crise no sistema de ônibus do Rio de Janeiro continuará, o que significa que não é possível resolvê-lo com medidas paliativas, já que o sistema é marcado por burocracia e um método opressivo de trabalho dos rodoviários.
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
SECRETÁRIOS DE TRANSPORTES SÃO INVESTIGADOS POR LIGAÇÃO COM EMPREITEIROS
De acordo com o que mostra a série de reportagens "O Rio de Janeiro na Lama", produzida pela TV Record carioca e transmitida em rede nacional pelo Jornal da Record, o grupo político que está no poder no Rio de Janeiro está sendo investigado pela Justiça por causa de denúncias de enriquecimento ilícito e favorecimentos pessoais junto a empreiteiros.
Entre os investigados na corrupção, estão desde o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, o governador do Estado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, e os secretários de Transportes do município do Rio, Rafael Picciani, e estadual, Carlos Roberto Osório.
A família Picciani, investigada por corrupção, inclui o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), Jorge Picciani, pai do secretário e também do deputado federal Leonardo Picciani, protegido do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, este conhecido por seu reacionarismo e pelo envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras.
A série de reportagens da Rede Record apresenta a falência em que se encontra o Estado do Rio de Janeiro, unidade federativa que mais sofreu retrocessos de vários tipos nos últimos anos, através de um grupo político marcado pelo autoritarismo, pelo desrespeito às leis, pela demagogia e pela corrupção.
Carlos Roberto Osório, quando era titular da secretaria municipal carioca (SMTR), já era acusado de estar envolvido com os empresários de ônibus. Consta-se que a pintura padronizada foi adotada para favorecer a corrupção político-empresarial, e um dos efeitos é a ciranda de trocas e extinções de empresas que deixa os passageiros confusos e desnorteados.
Além disso, as alterações dos itinerários das linhas de ônibus, além de apresentarem o interesse, nunca admitido pelas autoridades, de "limpeza social" na Zona Sul - complementando os abusos de policiais contratados pelo Estado, despreparados e confundindo jovens trabalhadores e estudantes com bandidos e fuzilando-os a esmo - , também teria o dedo dos empreiteiros.
As mudanças nas linhas de ônibus seriam uma forma de criar um esquema de favorecimento de empresários de ônibus com a redução de ônibus em circulação, a demissão de cobradores (devido à dupla função imposta aos motoristas) e a armação do "bilhete único" cuja validade se esgota ainda antes que o primeiro ônibus encerre seu percurso, obrigando o passageiro a pagar pela baldeação.
Além dessas manobras, feitas para alimentar o enriquecimento ilícito dos empresários de ônibus, existe também a obrigação do uso dos BRTs, nos corredores expressos, que foram construídos com a participação de empreiteiros, os mesmos investigados pela Operação Lava-Jato.
Neste caso, as reportagens denunciam que moradores são expulsos de casas populares para a construção não só de praças olímpicas, mas também de corredores de BRT. Uma área de proteção ambiental já foi destruída para construir um trecho desses corredores.
Há dois anos, uma CPI dos Ônibus chegou a ser instalada, mas políticos ligados aos próprios investigados foram designados para conduzir o processo, o que terminou em impunidade. A corrupção política dos governantes do PMDB carioca é responsável, direta ou indireta, pela crise da violência e do colapso nas verbas públicas que atinge o Estado do Rio de Janeiro.
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
MINISTÉRIO PÚBLICO INVESTIGA IRREGULARIDADES EM MUDANÇAS DE LINHAS NO RJ
O Ministério Público do Rio de Janeiro analisa possíveis irregularidades em relação às mudanças ocorridas nas linhas de ônibus municipais cariocas nos últimos meses. Segundo a ação, as alterações foram feitas sem qualquer tipo de pesquisa relacionada às demandas e outros aspectos.
Segundo o órgão, as mudanças realizadas apontam a necessidade de fazer baldeação, o que estaria prolongando o tempo de deslocamento. Vários estudantes e trabalhadores que se deslocam da Zona Sul para a Zona Norte e vice-versa estariam se atrasando por causa das baldeações, contrariando o que o secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani, havia declarado.
De acordo com o secretário, que adotou as mudanças sob o pretexto de "otimizar" o sistema de ônibus, "somente 20% dos passageiros" seriam obrigados a fazer baldeação entre os trajetos da Zona Norte para o Centro e do Centro para a Zona Sul.
Outro aspecto a se observar é que os ônibus passaram a ficar muito lotados, com as mudanças. Antes, os ônibus saíam da Central apenas com a maior parte dos assentos ocupada e os lugares só seriam todos preenchidos no entorno do Castelo e da Cinelândia.
Atualmente, os ônibus que vêm da Central já estão não apenas com os lugares de sentados preenchidos, como já mostram um número médio de dez pessoas em pé, padrão de lotação considerado "ideal" pelos tecnocratas da Prefeitura do Rio de Janeiro, mas incômodo e desconfortável para os passageiros que se deslocam em grandes distâncias para o trabalho e os estudos.
Os técnicos do Ministério Público estão pensando em cancelar a nova etapa de mudanças. Eles deram um prazo para a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) apresentar seu relatório de pesquisas. Caso contrário, o processo de mudança nas linhas será interrompido em novas etapas. Não há informação se as mudanças já ocorridas poderão ser revertidas.
sábado, 24 de outubro de 2015
QUE TAL "OTIMIZAR" OS COMERCIAIS DE AUTOMÓVEIS NA TV?
Sexta-feira, 23 de outubro de 2015. Cerca de oito e dez da manhã. Rede Globo de Televisão. Num único intervalo comercial do noticiário matutino Bom Dia Brasil, apareceram dois comerciais, um da marca Hyundai e outro da Volkswagen, intercalados apenas por um comercial de outro produto.
Em muitos momentos, principalmente no horário nobre da televisão, um mesmo módulo de intervalo comercial chega a mostrar até três comerciais de automóveis ou mesmo, junto a eles, um comercial de produtos relacionados a eles, como combustíveis e baterias para carros.
Não bastasse a "cultura social" que faz com que a pessoa adquira maior importância social quanto compra um automóvel, comerciais de televisão estimulam a compra e o consumo compulsivo de automóveis, num sistema de valores em que as pessoas são impelidas a usar automóvel só para levar os filhos da escola uns poucos quarteirões adiante.
Hoje mais uma alteração de linhas de ônibus é feita pela Secretaria Municipal de Transportes da Prefeitura do Rio de Janeiro (SMTR), cujo titular, Rafael Picciani, é de família aliada do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. A lógica autoritária e a visão autista decidida em escritórios reflete o caráter "otimizado" de tais mudanças.
A colocação de linhas troncais e alimentadoras, que tem mais uma etapa hoje, embora esta seja de aparente menor impacto no Centro, já que mexerá mais no corredor via Túnel Santa Bárbara e envolverá linhas realmente desnecessárias - "clones" de linhas do corredor Zona Norte - Zona Sul que se limitavam a ir para Botafogo ou Av. Prado Júnior, no Leme - , reflete essa visão autoritária.
O impacto já começa a ser notado. Ônibus lotados até mesmo fora dos horários de pico. A própria lógica da SMTR diverge da população quanto ao padrão de lotação de ônibus que deve ser no começo dos trajetos.
Para a população, os ônibus deveriam circular pelo menos com 50% dos bancos ocupados, no começo do percurso. Já a SMTR quer que eles já partam de seus pontos iniciais com 100% dos bancos ocupados, e um número médio de dez pessoas em pé.
Esses detalhes a mídia não observa e quase não se fala deles. E, nos horários de pico, ônibus já começam a sair de seus pontos iniciais com até mesmo mais de dez passageiros em pé. Por exemplo, os troncais de integração Centro - Zona Sul vindos da Central já entram na Av. Rio Branco praticamente superlotados, não só nos horários de pico, mas até em horários fracos.
E isso quando o número de automóveis nas ruas é extremamente grande e desnecessário, Há pessoas que usam o carro apenas por pura vaidade. Mesmo antes das mudanças nas linhas, os congestionamentos eram intensos nos entornos de Botafogo, Flamengo e Laranjeiras mesmo em horários considerados fracos, como 16 horas.
Agora, a situação se complicou. A imprensa não costuma dar ênfase, porque a grande mídia também se compromete com interesses empresariais e estamos no período de preparativos para as Olimpíadas, daí que nas mídias sociais as pessoas estão até discriminando quem tem senso crítico para forjar um "mar de rosas" digital, um Brasil "feliz" para turista ver.
Por isso, diante de um Rio de Janeiro aceitando bovinamente as imposições das autoridades que, isoladas nos seus escritórios, acham que entendem o mundo à sua volta, os ônibus agora reduzem suas frotas nas ruas, enquanto os automóveis aumentam ainda mais sua presença no tráfego diário.
Se Rafael Picciani se acha tão sábio, tão entendedor das coisas, por que ele não entra em contato com as emissoras de televisão e lhes aconselha uma "otimização" nos comerciais de automóveis na televisão?
Reduzir as campanhas um comercial de automóvel (incluindo artigos relacionados, como bateria para carro) para cada intervalo de programa de TV, no horário nobre, e um comercial em um de cada três intervalos na programação diurna seriam uma forma de diminuir os transtornos que acontecem sob o rótulo de "mobilidade urbana".
domingo, 11 de outubro de 2015
COM PINTURA PADRONIZADA, AUTORIDADES CONFUNDEM CONCEITOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Enquanto a tragicomédia da pintura padronizada tende a se repetir com a licitação de linhas municipais de Nova Iguaçu e a de linhas intermunicipais do Grande Rio para a capital, autoridades demonstram total falta de discernimento de conceitos relativos à Administração Pública.
Através da pintura padronizada, se estabelecem vínculos administrativos que correspondem a conceitos que nada têm a ver com as relações que se estabelecem entre empresas particulares de ônibus que operam concessões de serviço de transporte coletivo.
A pintura padronizada, que explicitamente expressa a identidade do poder público relacionado, seja a secretaria municipal ou a estadual de Transportes, através do respectivo consórcio determinado por esse mesmo poder estatal, corresponde, na verdade, ao processo de DESCONCENTRAÇÃO da Administração Pública, o que é muito diferente de DESCENTRALIZAÇÃO.
Isso porque a pintura padronizada sugere uma subordinação das empresas de ônibus ao poder governamental correspondente. A imagem que elas apresentam é a do "consórcio" que simboliza a identidade do poder estatal - isso é tão claro que se enfatiza na pintura a identificação do município ou orgão estatal, em detrimento do nome da empresa - , o que indica não a Descentralização Administrativa, que permite autonomia da pessoa jurídica prestadora de serviço, mas a Desconcentração, em que o serviço é concedido mediante relações de hierarquia.
Para quem acha que isso nada tem a ver, reproduzimos o que o portal JusBrasil, especializado em Direito, descreve sobre a diferença entre Descentralização e Desconcentração (que usamos em maiúsculas para dar sentido enfático na análise):
"A atividade administrativa pode ser prestada de duas formas, uma é a centralizada, pela qual o serviço é prestado pela Administração Direta, e a outra é a descentralizada, em que a prestação é deslocada para outras Pessoas Jurídicas.
Assim, descentralização consiste na Administração Direta deslocar, distribuir ou transferir a prestação do serviço para a Administração a Indireta ou para o particular. Note-se que, a nova Pessoa Jurídica não ficará subordinada à Administração Direta, pois não há relação de hierarquia, mas esta manterá o controle e fiscalização sobre o serviço descentralizado.
Por outro lado, a desconcentração é a distribuição do serviço dentro da mesma Pessoa Jurídica, no mesmo núcleo, razão pela qual será uma transferência com hierarquia".
A secretaria, municipal ou estatal, de Transportes, na medida em que adota a pintura padronizada que impõe um mesmo visual para diferentes empresas de ônibus, está, assim, atropelando não apenas critérios legais da Lei de Licitações e do Código de Defesa do Consumidor, para não dizer a Constituição Federal (sim, a pintura padronizada é INCONSTITUCIONAL porque contraria o princípio de livre iniciativa, por simbolizar, pela identidade visual, a subordinação de empresas particulares ao poder estatal), mas também conceitos de Administração Pública.
Afinal, a imposição de uma mesma pintura para diferentes empresas estabelece o monopólio da identificação do poder público através do visual dos "consórcios". As relações correspondem à desconcentração, transferência de serviço com relações de subordinação, como se as empresas particulares fossem órgãos do governo municipal ou estadual.
Não se trata de descentralização, por mais que o discurso das autoridades apele para tal, porque, se houvesse descentralização, seria respeitado o direito de cada empresa de ônibus apresentar a identidade visual que quiser, quando muito apenas criando uma posição fixa de apresentação do nome da empresa e do número, que é o que havia no Rio de Janeiro antes de 2010.
Com isso, as autoridades brasileiras, tão metidas a entender de Administração Pública e a ostentar seus diplomas de Direito, cometem uma total ignorância de seus conceitos mais fundamentais. E demonstram que só entendem mesmo de conchavos políticos e de nomeações em que os interesses pessoais estão acima do interesse público.
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
BALDEAÇÃO ESGOTA TEMPO DE BILHETE ÚNICO. PREFEITURA DO RJ NÃO AMPLIARÁ SUA VALIDADE
A mudança de linhas de ônibus no Rio de Janeiro confirmou o diagnótico de que as baldeações iriam esgotar o tempo do Bilhete Único, válido apenas para duas horas e meia do percurso. Ou seja, quem vem da Zona Norte e quer ir para a Zona Sul, terá que desembarcar no Centro e, na prática, pagar mais de uma passagem.
Só o percurso de um ônibus ultrapassa as duas horas e meia, devido ao trânsito congestionado em vários trechos da cidade. Nos horários de pico, o trânsito no entorno de Botafogo a Laranjeiras simplesmente trava, o que força os passageiros, sobretudo trabalhadores e universitários, a gastar, pelo menos, R$ 13,60 só para um único deslocamento diário de ida e volta.
São mais de R$ 270 a serem gastos por mês para um simples deslocamento. Na prática, é como se a passagem tivesse aumentado em 100%. E mostra o caráter autoritário da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), que usou a desculpa da "racionalização" para impor as mudanças.
Os passageiros saíram confusos com as mudanças e as novas linhas de integração. Nem a orientação de funcionários espalhados pelas ruas conseguiu resolver as coisas. E, com menos ônibus em circulação, os cariocas passaram a esperar até 40 minutos ou uma hora para pegar o segundo ônibus.
Passageiros tiveram que andar para outras ruas para pegar outros ônibus do Sistema Integrado, para evitar atrasos. Alguns levaram como jeitinho não passar pelo torniquete na primeira meia-hora de percurso. Mesmo assim, o Bilhete Único se esgota antes do primeiro ônibus chegar ao ponto final.
A GERENTE ANA PAULA PEREZ, ENTREVISTADA PELO JORNAL EXTRA, USA COMO ESTRATÉGIA DEMORAR PARA PASSAR PELO TORNIQUETE, PARA EVITAR O ESGOTAMENTO DO BILHETE ÚNICO.
Os passageiros tentam, dessa forma, "segurar" o Bilhete Único para garantir o ingresso gratuito no segundo ônibus. Mesmo a sugestão da SMTR para os passageiros que vêm da Barra da Tijuca desembarcarem em São Conrado e não no Rio Sul para pegarem as linhas troncais não é suficiente para evitar a segunda tarifa na baldeação.
ÔNIBUS LOTADOS
A imprensa bem que tentou minimizar o impacto do primeiro dia, com os repórteres se distanciando dos terminais e fazendo cobertura nos pontos intermediários, para evitar a repercussão negativa da nova operação. Mas não pôde esconder a insatisfação e os transtornos, assim como as lotações nos õnibus.
Os ônibus, reduzidos em frota e percurso, tiveram aumento de demanda. O número de passageiros aumentou drasticamente. Os terminais ficaram superlotados e um dos impactos da atual mudança foi sentido no Terminal da Central, que além do seu já tumultuado movimento, observado antes da medida, passou a acolher aqueles que pegavam os ônibus vindos da Zona Norte.
Por enquanto, ônibus convencionais foram utilizados para as linhas integradas e eles mostram o nível de lotação que, na melhor das hipóteses, aponta uma presença média de dez pessoas em pé diante de todos os assentos ocupados. Para a SMTR esse é o padrão "ideal" de lotação de um ônibus, embora não raro os veículos fiquem superlotados, até fora dos horários de picos.
Esse impacto negativo já era observado nas linhas do Transcarioca. BRTs percorriam os entornos de Jacarepaguá superlotados ou com todos os lugares para sentados ocupados e um terço da capacidade de passageiros em pé ocupado. Neles o impacto da baldeação já afetava a validade do Bilhete Único.
O secretário municipal Rafael Picciani acredita ser "improvável" a ampliação do tempo de validade do Bilhete Único. Ele se limitou a sugerir para os passageiros que se deslocarem da Alvorada ao Centro a usarem a baldeação em São Conrado e não no Rio Sul. Já os representantes do sindicato patronal Rio Ônibus recomendavam o Rio Sul.
Enquanto isso, as ruas ficam congestionadas com mais carros. e a redução de ônibus nas ruas faz com que os mesmos fiquem cada vez mais lotados. Os passageiros perdem mais tempo e dinheiro para se deslocarem que a solução é se isolar nos seus bairros mesmo.
Enquanto isso, continua a sobreposição de comerciais de automóveis na televisão, fator que influencia os consumidores a comprar mais carros. No horário nobre da televisão, um mesmo intervalo comercial chega a transmitir dois comerciais de marcas de carros. As ruas cariocas mostram que o Rio de Janeiro tornou-se o "túmulo" da mobilidade urbana.
terça-feira, 6 de outubro de 2015
PARA NÃO PREJUDICAR TURISMO, MÍDIA MINIMIZA EFEITOS DE PRIMEIRO DIA DE MUDANÇAS NOS ÔNIBUS
Cobertura morna foi feita pela grande imprensa no primeiro dia de alterações nas linhas de ônibus do Rio de Janeiro. Embora "admitisse" que houve queixas e confusão entre os passageiros, a avaliação da mídia foi um dia "tranquilo". Tomadas eram feitas em pontos intermediários. Pontos iniciais eram evitados para não mostrar o grosso da confusão.
Visando não prejudicar o turismo, a mídia teve que moderar nas críticas, já que reportagens negativas sobre o Rio de Janeiro costumam repercutir na mídia internacional, como CNN e BBC, e causar apreensão aos estrangeiros, que poderiam cancelar viagens turísticas programadas para o período das Olimpíadas de 2016.
Dessa forma, pouco se reportou sobre a mudança. A realidade não foi mostrada pela mídia, com terminais cheios, passageiros indignados e longas esperas por um ônibus. A baldeação foi incômoda e demorada, e as bandeiras dos ônibus, alternando dados de informação entre o destino do ônibus e o tipo de linha integrada, confundiam os passageiros, já desnorteados pela pintura padronizada.
O fluxo do Terminal da Central aumentou consideravelmente, com a chegada dos passageiros que, antes, se mantinham sentados nos ônibus da Zona Norte que eram destinados à Zona Sul. Com a mudança, tiveram que desembarcar ali, na esperança de pegar um assento num ônibus no seu ponto inicial, o que foi em vão. De dia e de noite, os horários de pico eram bem problemáticos.
Mesmo os ônibus mais "vazios", principalmente em horários de movimentos menores, tinham uma lotação correspondente a todos os assentos sentados e cerca de dez passageiros em pé. Esse é considerado o "padrão ideal" de lotação segundo os tecnocratas da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR).
Passageiros tiveram que viajar em pé para não se atrasarem no trabalho ou nos estudos. Muitos passageiros também se dirigiam aos bancos, já que os bancários anunciaram ontem que iniciariam greve hoje. Passageiros que quiseram pegar lugares sentados chegavam a esperar pelo quarto ou quinto ônibus e prestar atenção no tumulto de passageiros.
Portanto, a avaliação do primeiro dia foi tumultuada, e tudo indica que continuará assim mesmo.
domingo, 4 de outubro de 2015
RAFAEL PICCIANI ESTÁ POLITICAMENTE INTEGRADO A EDUARDO CUNHA E AÉCIO NEVES
As duas fotos mostram como realmente é a inclinação do secretário municipal de Transportes do Rio de Janeiro, Rafael Picciani, com a coisa pública. Aqui ele aparece em "boa companhia" com os políticos que, segundo ele, irão "racionalizar" a política no Brasil.
Eduardo Cunha (o deputado, não confundir com o busólogo) é famoso pelas "pautas-bombas" feitas para degradar o mercado de trabalho, botar adolescentes pobres nas cadeias, forçar idosos a trabalhar mais e impedir que novas estruturas de vida familiar sejam institucionalmente reconhecidas.
Aécio Neves é um fanfarrão político que, como seus colegas do PSDB, só enxugam o Estado para tirar dele as responsabilidades mais essenciais (como Educação e Saúde além de serviços essenciais, como saneamento) e deixar as supérfluas (como o poder centralizado nos sistemas de ônibus, através de ditatoriais Secretarias de Transportes) para seus cofres pessoais.
O deputado Cunha tem currículo de corrupção quando fazia parte do esquema de propinas na Petrobras, investigada hoje pela Operação Lava-Jato. Dava a palavra final em muitas decisões desse esquema e ainda recebia uma grande soma de dinheiro que ele depositava para si e seus familiares em contas na Suíça, conhecido paraíso fiscal (baixos impostos e facilidades em depósitos em contas bancárias).
Aécio Neves, por sua vez, é acusado de usar dinheiro dos contribuintes para viajar para o Rio de Janeiro e para construir um aeroporto particular que o anedotário político já conhece como "Aécioporto". Sem falar das noitadas que muitos afirmam ser o lazer do político mineiro.
Já dá para perceber o quanto Rafael Picciani está tão preocupado com o povo carioca. E, como ele está com mania de desmentir as coisas, daqui a pouco ele vai botar a culpa dessas imagens no Photoshop. Enquanto isso, os ônibus "vazios" ficam ainda mais lotados nas ruas cariocas, por conta da "racionalização" do sistema...
sábado, 3 de outubro de 2015
SISTEMA DE ÔNIBUS DO RJ PERDE DE VEZ O SENTIDO DE TRANSPORTE PÚBLICO
A CANDELÁRIA É FIM DE LINHA PARA LINHAS COMO A 455.
Hoje o sistema de ônibus do Rio de Janeiro perdeu de vez o sentido de transporte público. Ele agora é oficialmente um sistema privativo da vontade de tecnocratas, burocratas e autoridades políticas. Desde a adoção da pintura padronizada as autoridades cariocas mostraram o estilo Eduardo Cunha (não o busólogo, mas o deputado) de ser, reflexo do autoritarismo do PMDB carioca.
Sob a desculpa de racionalizar o sistema de ônibus - termo sem o menor fundamento, porque trará efeitos contrários - , a Secretaria Municipal de Transportes da Prefeitura do Rio de Janeiro eliminará a ligação direta Zona Norte-Zona Sul em boa parte das linhas, obrigando os passageiros a fazer a incômoda baldeação, que não trará o conforto do primeiro ônibus e causará perda de tempo.
Isso não é racionalizar. Afinal, é conhecido que a Zona Sul é famosa pelo gigantesco congestionamento que existia até quando as linhas do ramal Norte-Sul circulavam plenamente. Com o fim das mesmas e a substituição pela baldeação para os BRTs do ramal Centro - Zona Sul, que não darão conta de toda demanda (vide o caso de Madureira), a coisa tende a piorar.
Hoje, sábado, o sistema tende a parecer "tranquilo", mas o resultado mesmo será observado na segunda-feira. Os passageiros já estão se preparando para acordar mais cedo para não se atrasarem no trabalho e nos ambientes de ensino.
A confusão acontecerá nos entornos da Candelária e Central, que receberão as demandas das linhas de percurso mutilado. Incidentes como os arrastões em Copacabana podem ser transferidos para o entorno da Av. Pres. Vargas. O metrô também tende a ter maior lotação.
Tudo isso não foi imaginado pelos tecnocratas que, trancados em seus escritórios, não devem conhecer os congestionamentos no trânsito carioca, daí a imposição de uma mudança que, literalmente, vai fechar o trânsito no Rio de Janeiro.
Enquanto isso, continua a sobreposição de comerciais de automóveis na televisão, em que um mesmo intervalo chega a mostrar três propagandas de montadoras de automóvel, fora os comerciais sobre peças ou objetos relacionados, como baterias para carros, pneus e postos de combustíveis. Eles continuam congestionando as mentes de pessoas que continuam usando carros sem necessidade.
Hoje o sistema de ônibus do Rio de Janeiro perdeu de vez o sentido de transporte público. Ele agora é oficialmente um sistema privativo da vontade de tecnocratas, burocratas e autoridades políticas. Desde a adoção da pintura padronizada as autoridades cariocas mostraram o estilo Eduardo Cunha (não o busólogo, mas o deputado) de ser, reflexo do autoritarismo do PMDB carioca.
Sob a desculpa de racionalizar o sistema de ônibus - termo sem o menor fundamento, porque trará efeitos contrários - , a Secretaria Municipal de Transportes da Prefeitura do Rio de Janeiro eliminará a ligação direta Zona Norte-Zona Sul em boa parte das linhas, obrigando os passageiros a fazer a incômoda baldeação, que não trará o conforto do primeiro ônibus e causará perda de tempo.
Isso não é racionalizar. Afinal, é conhecido que a Zona Sul é famosa pelo gigantesco congestionamento que existia até quando as linhas do ramal Norte-Sul circulavam plenamente. Com o fim das mesmas e a substituição pela baldeação para os BRTs do ramal Centro - Zona Sul, que não darão conta de toda demanda (vide o caso de Madureira), a coisa tende a piorar.
Hoje, sábado, o sistema tende a parecer "tranquilo", mas o resultado mesmo será observado na segunda-feira. Os passageiros já estão se preparando para acordar mais cedo para não se atrasarem no trabalho e nos ambientes de ensino.
A confusão acontecerá nos entornos da Candelária e Central, que receberão as demandas das linhas de percurso mutilado. Incidentes como os arrastões em Copacabana podem ser transferidos para o entorno da Av. Pres. Vargas. O metrô também tende a ter maior lotação.
Tudo isso não foi imaginado pelos tecnocratas que, trancados em seus escritórios, não devem conhecer os congestionamentos no trânsito carioca, daí a imposição de uma mudança que, literalmente, vai fechar o trânsito no Rio de Janeiro.
Enquanto isso, continua a sobreposição de comerciais de automóveis na televisão, em que um mesmo intervalo chega a mostrar três propagandas de montadoras de automóvel, fora os comerciais sobre peças ou objetos relacionados, como baterias para carros, pneus e postos de combustíveis. Eles continuam congestionando as mentes de pessoas que continuam usando carros sem necessidade.
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
DECLARAÇÃO DE RAFAEL PICCIANI SUGERE QUE SISTEMA DE ÔNIBUS DO RJ É ENCAMPADO
O Secretário Municipal de Transportes, Rafael Picciani, ao anunciar, semanas atrás, o plano de "racionalização" das linhas de ônibus na cidade do Rio de Janeiro, deu uma declaração que deixou vazar que houve a chamada "encampação", a intervenção estatal nas empresas de ônibus que operam no município.
"Hoje, não existe mais uma lógica de concorrência que justifique a sobreposição de 64% das linhas. As empresas não concorrem mais: elas estão consorciadas e operam no sentido de um caixa único", disse Picciani, negando portanto a competitividade no sistema de ônibus.
Segundo essa declaração, fica claro que o sistema de ônibus no Rio de Janeiro tem uma administração centralizada - a SMTR (Secretaria Municipal de Transportes) atua com plenos poderes, e, em vez de fiscalizar, controla o transporte com mãos de ferro - e o caixa único já mostra que houve intervenção estatal, embora o serviço seja custeado pelas empresas particulares envolvidas.
Sabe-se, também, que os consórcios são na verdade grupos empresariais politicamente formados, e que surgiram contrariando aspectos da Lei das Licitações. O ponto observado, por exemplo, é que a licitação esconde as empresas através da pintura padronizada nos ônibus, que por causar confusão nos passageiros, contraria o artigo 12, que se refere à adequação ao interesse público.
A pintura padronizada também mostra um outro aspecto intervencionista: a palavra que mais se destaca é "Cidade do Rio de Janeiro", o que dá a crer que a Prefeitura do Rio de Janeiro se apropriou das frotas de ônibus, sendo a "administradora" de um serviço em que as empresas de ônibus, embora tenham ganho maior peso político, perderam a autonomia administrativa.
Por isso, a Secretaria Municipal de Transportes, em vez de fiscalizar e disciplinar o transporte, tem o poder centralizado e se limita a dar ordens e punir, usando uma lógica da ditadura militar. E, impondo a pintura padronizada, ela age como se fosse "dona" das frotas de ônibus, já que as identidades visuais das empresas foram substituídas pela imagem da Prefeitura do Rio de Janeiro.
Estes aspectos dão um forte indício de que o sistema de ônibus carioca opera como se tivesse havido uma intervenção estatal. Isso reflete no declínio do sistema de ônibus, porque a lógica que se vê no transporte coletivo é autoritária, ditatorial e tecnocrática.
Nada menos coletivo, nada mais distante do interesse público, do que o modelo de sistema de ônibus implantado no RJ há cinco anos.
sábado, 26 de setembro de 2015
TEMENDO PERDAS ELEITORAIS, PREFEITO EDUARDO PAES LIBERA LINHA 474 PARA FINS DE SEMANA E FERIADOS
LINHA 474 DA BRASO LISBOA JÁ TINHA OUTRA NUMERAÇÃO, 25, COMO MOSTRA ANÚNCIO DAS CARROCERIAS METROPOLITANA DE 1960.
Diante do impacto da repressão policial e dos arrastões envolvendo jovens vindos do Jacarezinho - as confusões, na verdade, teriam sido provocadas por rapazes de classe média de Copacabana e Ipanema - e com o risco de sofrer desgaste político que poderá causar perdas eleitorais em 2016, a Prefeitura do Rio de Janeiro decidiu manter a linha 474 nos fins de semana e feriados.
A medida é só um paliativo, porque continua valendo quase todo o plano de extinção das linhas diretas da Zona Norte e Zona Sul que forçará a baldeação Zona Norte X Centro e Centro X Zona Sul, e a brecha apenas tem como medida "permitir" o acesso da população do Jacaré para as praias de Copacabana e Ipanema.
Continuam comprometidas as idas de trabalhadores e estudantes, sobretudo moradores da Zona Sul que estudam na UERJ do Maracanã e moradores da Zona Norte que estudam na PUC de Gávea, que terão que fazer baldeação, perdendo tempo e dinheiro (o Bilhete Único só tem validade no tempo do itinerário do primeiro ônibus e as ruas são congestionadas).
A única coisa que será evitada é o agravamento dos incidentes conflituosos que tomaram conta dos noticiários nacionais e indicaram a vocação elitista das decisões do governo Eduardo Paes. Ele, que terá um sucessor de sua chapa para 2016 (não pode ser reeleito novamente), está pensando no êxito nas urnas.
Daí a minguada compensação de liberar a linha 474 para sábados, domingos e feriados. Nos dias úteis da semana, valerá o sacrifício de pegar o primeiro ônibus até a Candelária e enfrentar um BRT lotado para a Zona Sul. E isso com o Bilhete Único se esgotando provavelmente na chegada da Cidade Nova.
Diante do impacto da repressão policial e dos arrastões envolvendo jovens vindos do Jacarezinho - as confusões, na verdade, teriam sido provocadas por rapazes de classe média de Copacabana e Ipanema - e com o risco de sofrer desgaste político que poderá causar perdas eleitorais em 2016, a Prefeitura do Rio de Janeiro decidiu manter a linha 474 nos fins de semana e feriados.
A medida é só um paliativo, porque continua valendo quase todo o plano de extinção das linhas diretas da Zona Norte e Zona Sul que forçará a baldeação Zona Norte X Centro e Centro X Zona Sul, e a brecha apenas tem como medida "permitir" o acesso da população do Jacaré para as praias de Copacabana e Ipanema.
Continuam comprometidas as idas de trabalhadores e estudantes, sobretudo moradores da Zona Sul que estudam na UERJ do Maracanã e moradores da Zona Norte que estudam na PUC de Gávea, que terão que fazer baldeação, perdendo tempo e dinheiro (o Bilhete Único só tem validade no tempo do itinerário do primeiro ônibus e as ruas são congestionadas).
A única coisa que será evitada é o agravamento dos incidentes conflituosos que tomaram conta dos noticiários nacionais e indicaram a vocação elitista das decisões do governo Eduardo Paes. Ele, que terá um sucessor de sua chapa para 2016 (não pode ser reeleito novamente), está pensando no êxito nas urnas.
Daí a minguada compensação de liberar a linha 474 para sábados, domingos e feriados. Nos dias úteis da semana, valerá o sacrifício de pegar o primeiro ônibus até a Candelária e enfrentar um BRT lotado para a Zona Sul. E isso com o Bilhete Único se esgotando provavelmente na chegada da Cidade Nova.
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
UNIVERSITÁRIOS TAMBÉM SERÃO PREJUDICADOS COM MUDANÇAS EM LINHAS DE ÔNIBUS NO RJ
Não são somente os moradores pobres da Zona Norte os maiores prejudicados com o esquema de mudanças de linhas de ônibus a ser implantado no próximo mês, extinguindo a ligação direta entre Zona Norte e Zona Sul.
Mesmo as elites que usam ônibus e os trabalhadores que transitam entre as duas zonas serão prejudicados com a "racionalização" das linhas que obrigará os passageiros a pegar mais de um ônibus e, com isso, enfrentar a superlotação e a perda de tempo nos terminais de baldeação.
Os universitários que moram na Zona Sul e estudam em campus universitários localizados na Zona Norte, como o Campus do Maracanã da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), também serão prejudicados com as mudanças das linhas.
Uma das linhas envolvidas, a 455 Méier / Copacabana, que atende à área, terá seu percurso reduzido à Candelária. As linhas 456 e 457, como algumas para a Praça Barão de Drumond, terão percurso reduzido para o Mourisco, em Botafogo, ou para o Largo do Machado, não liberando os estudantes de baldeação para os lotados BRTs.
A complicação no deslocamento dos estudantes poderá influir na perda de rendimento escolar, além dos atrasos às aulas ministradas nas faculdades. Isso complicará o aprendizado, até porque o deslocamento apressado para não fazer perder a validade do Bilhete Único, usado na baldeação - que, com duas horas e meia de duração, "morre" ainda no trajeto do primeiro ônibus - será corrido.
Com isso, haverá falta de conforto - dificilmente o passageiro que viaja sentado no primeiro ônibus terá a mesma condição no segundo - e o estresse que fará o estudante ficar cansado e indisposto à assistir às aulas e a realizar as tarefas determinadas pelos professores.
As mudanças de linhas cariocas causarão, assim, um gravíssimo prejuízo, além de dificultar o deslocamento dos pobres da Zona Norte. Com os congestionamentos e atrasos, a mudança do sistema trará mais desemprego e complicará a formação acadêmica e profissional dos futuros cidadãos cariocas.
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